No Brasil, a indústria farmacêutica veterinária, considerada um dos maiores mercados do mundo, é caracterizada por dois tipos de empresas: as multinacionais de grande porte com atuação global e as empresas brasileiras de pequeno porte e atuação normalmente local. Estas empresas são segmentadas de acordo com o destino dos produtos: para animais de companhia ou para animais de produção.
O segmento de animais de companhia vem crescendo consideravelmente nos últimos anos, pois o Brasil hospeda atualmente uma das maiores populações de animais de estimação do mundo, o que gera cada vez mais oportunidades para a indústria farmacêutica veterinária. Com isso, as expectativas de longo prazo são promissoras, principalmente pelo aumento da renda dos consumidores, mudança no estilo de vida das pessoas e percepção dos animais pet como “membros da família”.
No mesmo sentido, o segmento de animais de produção também vem se destacando no cenário global, pois o Brasil é um dos maiores exportadores de carnes do mundo e, consequentemente, um dos mercados mais desejados pelas multinacionais devido às oportunidades de exploração. O aumento da demanda mundial por alimentos de origem animal, juntamente com a preocupação com a segurança alimentar, tornam o segmento de animais de produção um nicho de constantes e crescentes oportunidades para o desenvolvimento de produtos farmacêuticos inovadores e biosustentáveis.
Com muito otimismo, acredito que as perspectivas de crescimento do mercado veterinário brasileiro são positivas e o interesse das empresas farmacêuticas pode ser comprovado pelos recentes investimentos que grande parte delas, seja de capital nacional ou multinacional, empreendeu no País. Opções como sistemas de liberação modificada de fármacos, nutracêuticos, produtos biodegradáveis e a incorporação da nanotecnologia aos produtos veterinários, serão alvo de grandes investimentos nos próximos anos, tanto pelas companhias, quanto pelos órgãos de fomento à pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Entretanto, se o Brasil não quiser perder estas grandes oportunidades, precisará superar obstáculos como a escassez de recursos humanos (doutores) voltados para a indústria, falta de sinergia entre as normas regulatórias brasileiras e mundiais, bem como a letargia na interação universidade/empresa. Só assim teremos condições de se destacar em termos de inovação tecnológica e não ser apenas uma promessa desperdiçada.
Rubens Alves Pereira é pesquisador em Inovação Farmacêutica Veterinária do NUPEEC da Universidade Federal de Pelotas
(Fonte: IPD-Farma)
Indústria farmacêutica bate recorde de fusões e aquisições em 2015
2015 foi um ano intenso para a indústria farmacêutica no que diz respeito à fusões e aquisições. As operações realizadas de janeiro a dezembro movimentaram mais de US$ 300 bilhões, um novo recorde para o setor.
O recorde anterior era de 2014, quando o valor dos negócios ultrapassou US$ 200 bilhões. A maior parte dessa movimentação foi protagonizada por empresas que buscaram concentrar a atuação em algumas áreas e reduzir lacunas persistentes de crescimento de receita.
As informações fazem parte do “Firepower Index and Growth Gap Report 2016” levantamento realizado pela Ernst & Young (EY) que mede a capacidade das empresas farmacêuticas em financiar fusões e aquisições com base na força de seus balanços e sua capitalização de mercado.
Em 2016, a retomada do foco das políticas de precificação baseadas no valor dos medicamentos, a acirrada competição em segmentos chave de tratamento e a consolidação da influência dos compradores podem agravar as lacunas de crescimento existentes. Como resultado, pode-se esperar um ambiente de negócios bastante aquecido para fusões e aquisições, que deve se prolongar no médio prazo.
Embora não haja previsão de realização de mais negócios de grande porte, acima de US$ 100 bilhões, a expectativa é que o ritmo acelerado de aquisições se mantenha e que o movimento de desinvestimento continue, uma vez que as empresas seguem em busca de maior foco e ganho de escala em determinadas áreas.
“Três vezes mais companhias dispõem, hoje, de pelo menos US$ 3 bilhões para investir em fusões e aquisições do que há um ano. Isso significa maior competição por ativos, bem como uma lista maior de aquisições em potencial por meio de desinvestimento. As empresas de grande porte, em particular, devem aproveitar a participação relevante em suas áreas de atuação para obter, de forma agressiva, mas estratégica, negócios que preencham lacunas de portfólios e pipelines”, diz Sergio Almeida, sócio da área de Transações da Ernst & Young (EY).
Apesar de as companhias de grande porte a começarem a crescer graças ao sucesso de projetos de P&D em áreas como onclologia e doenças infecciosas, muitos dos maiores players do setor continuarão recorrendo às fusões e aquisições para alcançar as metas de crescimento traçadas, com o foco em aquisições e desinvestimentos assumindo um papel fundamental nesse cenário.
Perspectivas para 2016
Embora as companhias farmacêuticas continuem a se beneficar do atual período de aumento na aprovação de novas drogas, o levantamento feito pela EY identifica diversos desafios para a indústria e considerações que devem guiar as operações de fusão e aquisição a partir de 2016:
· Consolidação de contribuintes devem impulsionar fusões e aquisições – os principais contribuintes das fusões e a continuidade da consolidação entre gestores de benefícios farmacêuticos têm ganhado influência nas negociações. Como resultado desse processo, as empresas farmacêuticas e de biotecnologisa podem enfrentar com novos desafios para o aumento das vendas, precisando apelar para fusões e aquisições como um meio de usar seu “poder de fogo” para eliminar lacunas de crescimento.
· Desinvestimentos devem continuar – as operações de desinvestimento representam hoje cerca de 25% do valor levantado com fusões e aquisições. Em 2015, empresas que realizaram desinvestimento geraram mais “poder de fogo” do que seus pares que não negociaram ativos não estratégicos e trouxeram maior retorno acionário para os investidores. Como os portfólios continuam a se transformar, desinvestimentos devem manter sua representatividade no cenário de fusões e aquisições em 2016.
· Empresas de biotecnologia vão começar a fazer negócio – em função da pressão dos pacientes e da competição no campo terapêutico, o capital relacionado às operações de fusão e aquisição envolvendo empresas de biotecnologia deve superar os US$ 25 bilhões registrados em 2015. Além disso, as empresas de grande porte alcançaram valor e market share recorde no ano passado, criando as bases necessárias para um ambiente de negócios aquecido em 2016.
(Redação - Agência IN)
O recorde anterior era de 2014, quando o valor dos negócios ultrapassou US$ 200 bilhões. A maior parte dessa movimentação foi protagonizada por empresas que buscaram concentrar a atuação em algumas áreas e reduzir lacunas persistentes de crescimento de receita.
As informações fazem parte do “Firepower Index and Growth Gap Report 2016” levantamento realizado pela Ernst & Young (EY) que mede a capacidade das empresas farmacêuticas em financiar fusões e aquisições com base na força de seus balanços e sua capitalização de mercado.
Em 2016, a retomada do foco das políticas de precificação baseadas no valor dos medicamentos, a acirrada competição em segmentos chave de tratamento e a consolidação da influência dos compradores podem agravar as lacunas de crescimento existentes. Como resultado, pode-se esperar um ambiente de negócios bastante aquecido para fusões e aquisições, que deve se prolongar no médio prazo.
Embora não haja previsão de realização de mais negócios de grande porte, acima de US$ 100 bilhões, a expectativa é que o ritmo acelerado de aquisições se mantenha e que o movimento de desinvestimento continue, uma vez que as empresas seguem em busca de maior foco e ganho de escala em determinadas áreas.
“Três vezes mais companhias dispõem, hoje, de pelo menos US$ 3 bilhões para investir em fusões e aquisições do que há um ano. Isso significa maior competição por ativos, bem como uma lista maior de aquisições em potencial por meio de desinvestimento. As empresas de grande porte, em particular, devem aproveitar a participação relevante em suas áreas de atuação para obter, de forma agressiva, mas estratégica, negócios que preencham lacunas de portfólios e pipelines”, diz Sergio Almeida, sócio da área de Transações da Ernst & Young (EY).
Apesar de as companhias de grande porte a começarem a crescer graças ao sucesso de projetos de P&D em áreas como onclologia e doenças infecciosas, muitos dos maiores players do setor continuarão recorrendo às fusões e aquisições para alcançar as metas de crescimento traçadas, com o foco em aquisições e desinvestimentos assumindo um papel fundamental nesse cenário.
Perspectivas para 2016
Embora as companhias farmacêuticas continuem a se beneficar do atual período de aumento na aprovação de novas drogas, o levantamento feito pela EY identifica diversos desafios para a indústria e considerações que devem guiar as operações de fusão e aquisição a partir de 2016:
· Consolidação de contribuintes devem impulsionar fusões e aquisições – os principais contribuintes das fusões e a continuidade da consolidação entre gestores de benefícios farmacêuticos têm ganhado influência nas negociações. Como resultado desse processo, as empresas farmacêuticas e de biotecnologisa podem enfrentar com novos desafios para o aumento das vendas, precisando apelar para fusões e aquisições como um meio de usar seu “poder de fogo” para eliminar lacunas de crescimento.
· Desinvestimentos devem continuar – as operações de desinvestimento representam hoje cerca de 25% do valor levantado com fusões e aquisições. Em 2015, empresas que realizaram desinvestimento geraram mais “poder de fogo” do que seus pares que não negociaram ativos não estratégicos e trouxeram maior retorno acionário para os investidores. Como os portfólios continuam a se transformar, desinvestimentos devem manter sua representatividade no cenário de fusões e aquisições em 2016.
· Empresas de biotecnologia vão começar a fazer negócio – em função da pressão dos pacientes e da competição no campo terapêutico, o capital relacionado às operações de fusão e aquisição envolvendo empresas de biotecnologia deve superar os US$ 25 bilhões registrados em 2015. Além disso, as empresas de grande porte alcançaram valor e market share recorde no ano passado, criando as bases necessárias para um ambiente de negócios aquecido em 2016.
(Redação - Agência IN)
Roche quer tornar seus remédios menos "amargos"
Quando assumiu o comando da subsidiária brasileira do laboratório suíço Roche, no fim de 2013, o economista alemão Rolf Hoenger traçou entre suas metas ampliar o acesso da população aos medicamentos mais inovadores — e caros — produzidos pela empresa.
Para isso, sua estratégia é priorizar a saúde pública, na qual são realizados os tratamentos mais complexos de pacientes sem condições de arcar com os custos de hospitais particulares. Cerca de 35% do faturamento da Roche no Brasil vem das vendas aos hospitais públicos. A meta é trabalhar para que as compras do governo representem mais da metade dos negócios da empresa nos próximos anos.
“Não basta desenvolver drogas inovadoras para o tratamento de doenças importantes, como o câncer”, diz Hoenger. “É preciso que os medicamentos estejam disponíveis para os pacientes que mais necessitam deles.” A distribuição de medicamentos de alto custo no Sistema Único de Saúde é parte dessa estratégia.
No ano passado, o Conitec, órgão responsável pela análise de remédios usados no SUS, aprovou dois medicamentos da Roche: o Herceptin, para o tratamento de câncer de mama, e o MabThera, para o tratamento de linfomas. O frasco do Herceptin, por exemplo, custa mais de 10 000 reais nas farmácias.
Fabricante de alguns medicamentos campeões de vendas no país — como os tranquilizantes Valium e Lexotan —, a Roche tem investido fortemente na pesquisa de drogas para o tratamento de vários tipos de câncer. Para 2016, a empresa prepara o lançamento de dois remédios usados no tratamento do câncer de pele. Além de oncologia, a Roche tem apostado nas áreas de imunologia e neurologia.
Ao todo, nos últimos três anos, investiu 370 milhões de reais em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. A empresa mantém parcerias com 240 instituições envolvidas em 79 projetos de pesquisa. O investimento contínuo em pesquisa ajuda a Roche a ter um bom desempenho no país. No ano passado, obteve uma receita líquida de 904 milhões de dólares e lucrou quase 68 milhões de dólares.
Sua média de riqueza gerada por empregado (mais de 177 000 dólares per capita) é a maior do setor. O Brasil, representando 2% da receita global da Roche e 40% da América Latina, é o sexto maior mercado da multinacional suíça e o que mais cresce entre as economias emergentes. Em breve, a participação brasileira deve aumentar.
A empresa anunciou no ano passado um plano de investimento de 300 milhões de reais para modernizar sua única fábrica no país, no Rio de Janeiro. A iniciativa permitirá que a Roche aumente a produção 10% e se consolide com um polo exportador. Atualmente, a fábrica brasileira exporta 30% de sua produção para 23 países. O plano é ampliar o índice para 50% em 2017.
Até lá, alguns medicamentos produzidos aqui, como o Bactrim, usado no tratamento de infecções, devem passar a ser exportados para o mundo inteiro. “A fábrica brasileira tem grande potencial para se tornar um centro de produção global da Roche em um futuro próximo”, diz Hoenger.
Flávia D'angelo - Revista EXAME
Para isso, sua estratégia é priorizar a saúde pública, na qual são realizados os tratamentos mais complexos de pacientes sem condições de arcar com os custos de hospitais particulares. Cerca de 35% do faturamento da Roche no Brasil vem das vendas aos hospitais públicos. A meta é trabalhar para que as compras do governo representem mais da metade dos negócios da empresa nos próximos anos.
“Não basta desenvolver drogas inovadoras para o tratamento de doenças importantes, como o câncer”, diz Hoenger. “É preciso que os medicamentos estejam disponíveis para os pacientes que mais necessitam deles.” A distribuição de medicamentos de alto custo no Sistema Único de Saúde é parte dessa estratégia.
No ano passado, o Conitec, órgão responsável pela análise de remédios usados no SUS, aprovou dois medicamentos da Roche: o Herceptin, para o tratamento de câncer de mama, e o MabThera, para o tratamento de linfomas. O frasco do Herceptin, por exemplo, custa mais de 10 000 reais nas farmácias.
Fabricante de alguns medicamentos campeões de vendas no país — como os tranquilizantes Valium e Lexotan —, a Roche tem investido fortemente na pesquisa de drogas para o tratamento de vários tipos de câncer. Para 2016, a empresa prepara o lançamento de dois remédios usados no tratamento do câncer de pele. Além de oncologia, a Roche tem apostado nas áreas de imunologia e neurologia.
Ao todo, nos últimos três anos, investiu 370 milhões de reais em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. A empresa mantém parcerias com 240 instituições envolvidas em 79 projetos de pesquisa. O investimento contínuo em pesquisa ajuda a Roche a ter um bom desempenho no país. No ano passado, obteve uma receita líquida de 904 milhões de dólares e lucrou quase 68 milhões de dólares.
Sua média de riqueza gerada por empregado (mais de 177 000 dólares per capita) é a maior do setor. O Brasil, representando 2% da receita global da Roche e 40% da América Latina, é o sexto maior mercado da multinacional suíça e o que mais cresce entre as economias emergentes. Em breve, a participação brasileira deve aumentar.
A empresa anunciou no ano passado um plano de investimento de 300 milhões de reais para modernizar sua única fábrica no país, no Rio de Janeiro. A iniciativa permitirá que a Roche aumente a produção 10% e se consolide com um polo exportador. Atualmente, a fábrica brasileira exporta 30% de sua produção para 23 países. O plano é ampliar o índice para 50% em 2017.
Até lá, alguns medicamentos produzidos aqui, como o Bactrim, usado no tratamento de infecções, devem passar a ser exportados para o mundo inteiro. “A fábrica brasileira tem grande potencial para se tornar um centro de produção global da Roche em um futuro próximo”, diz Hoenger.
Flávia D'angelo - Revista EXAME
Aché Laboratórios compra a Nortis Farmacêutica para ampliar plataforma industrial e tecnológica
O Aché Laboratórios anuncia a aquisição da Nortis Farmacêutica, empresa fabricante de medicamentos de Londrina (PR).
Com a incorporação, o Aché passa a ampliar sua plataforma industrial e tecnológica. A unidade adquirida possui cerca de 1.800 m², com capacidade de produção mensal de 1,2 milhão de blísteres e 400 mil frascos.
A Nortis Farmacêutica é reconhecida no mercado pela produção de antibióticos cefalosporínicos, além de possuir uma linha de medicamentos isentos de prescrição (MIP) e nutracêuticos. A companhia é responsável por cerca de 50% do segmento de antibióticos cefalosporínicos no Brasil, com 20 milhões de unidades produzidas anualmente. A empresa possui uma forte cultura de qualidade, gestão e valorização de pessoas, elementos valorizados pelo Aché.
"A iniciativa vai ao encontro da proposta do Aché de crescer com excelência operacional e inovação, mantendo o foco no cliente e garantindo a sustentabilidade. Isso nos ajuda a continuar levando mais vida para a população, por meio de prevenção e tratamentos que trazem saúde e bem-estar", afirma Paulo Nigro, presidente do Aché.
A aquisição da Nortis faz parte dos investimentos industriais previstos pelo Aché em 2016, que devem totalizar R$ 80 milhões no ano, com o aumento esperado de produção de 15%, totalizando 310 milhões de unidades.
Fonte: Aché - 13/04/2016
Com a incorporação, o Aché passa a ampliar sua plataforma industrial e tecnológica. A unidade adquirida possui cerca de 1.800 m², com capacidade de produção mensal de 1,2 milhão de blísteres e 400 mil frascos.
A Nortis Farmacêutica é reconhecida no mercado pela produção de antibióticos cefalosporínicos, além de possuir uma linha de medicamentos isentos de prescrição (MIP) e nutracêuticos. A companhia é responsável por cerca de 50% do segmento de antibióticos cefalosporínicos no Brasil, com 20 milhões de unidades produzidas anualmente. A empresa possui uma forte cultura de qualidade, gestão e valorização de pessoas, elementos valorizados pelo Aché.
"A iniciativa vai ao encontro da proposta do Aché de crescer com excelência operacional e inovação, mantendo o foco no cliente e garantindo a sustentabilidade. Isso nos ajuda a continuar levando mais vida para a população, por meio de prevenção e tratamentos que trazem saúde e bem-estar", afirma Paulo Nigro, presidente do Aché.
A aquisição da Nortis faz parte dos investimentos industriais previstos pelo Aché em 2016, que devem totalizar R$ 80 milhões no ano, com o aumento esperado de produção de 15%, totalizando 310 milhões de unidades.
Fonte: Aché - 13/04/2016
Amgen reforça aposta no medicamento biológico
A biofarmacêutica Amgen tem planos ambiciosos para o mercado brasileiro de medicamentos no curto prazo. Nos próximos 18 meses, o laboratório pretende trazer ao país cinco novas drogas biológicas, que são consideradas a nova fronteira da indústria global.
Além disso, planeja participar das chamadas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), firmadas entre laboratórios públicos e privados com o objetivo de transferir tecnologia e garantir a autossuficiência do mercado nacional desse tipo de medicamento.
No país desde 2009, a companhia americana atua no segmento nacional de genéricos por meio do Laboratório Bergamo, comprado em 2011 por US$ 215 milhões, e já está presente no segmento de biológicos, fármacos produzidos a partir de organismos vivos que serão o motor do crescimento da operação local nos próximos anos.
Em entrevista ao Valor, o presidente da Amgen no Brasil, Mauro Loch, contou que a farmacêutica está aguardando a nova lista de medicamentos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS) para definir a participação nas próximas PDPs. "Entendemos que a operação brasileira já amadureceu e agora estamos prontos para participar do processo", afirmou o executivo.
Hoje, a demanda de medicamentos biológicos no país é atendida integralmente pelas importações e o desejo do governo é transformar o país em plataforma global desses fármacos, a partir da transferência de tecnologia para alcançar produção 100% nacional. Em todo o mundo, o mercado de drogas biológicas é estimado em mais de US$ 160 bilhões por ano.
Desde 2012, o laboratório investiu cerca de R$ 32 milhões na fábrica do Bergamo, localizada em Taboão da Serra (SP), onde são produzidos principalmente genéricos e hormônio de crescimento a Amgen é a maior fornecedora ao mercado público nacional. Nos próximos anos, contou Loch, a farmacêutica pretende aplicar mais R$ 15 milhões na unidade fabril.
Atualmente, a Amgen tem negócios com genéricos apenas no Brasil e na Índia. No país, esses medicamentos são responsáveis por 65% do faturamento, que não é divulgado. A composição das receitas, porém, tende a mudar à medida que se confirmem os lançamentos previstos para os próximos 18 meses e as drogas biológicas devem ganhar participação maior nas receitas, hoje em 35%.
Além disso, em meados de dezembro, a Amgen recomprou da GlaxoSmithKline os direitos das drogras Prolia (denosumab, para tratamento da oesteoporose), Vectibix (panitumumab, para câncer do cólon) e Xgeva (denosumab, para câncer), em um acordo que envolve os principais mercados em expansão, incluindo o Brasil. Em 2014, a GSK gerou aproximadamente US$ 111 milhões em vendas combinadas a partir dessas licenças, que agora retornam ao portfólio da Amgen.
Dois desses medicamentos chegam ao mercado brasileiro já em 2016.
"Vamos trazer ao país produtos biológicos para patologias que ainda não contam com o tratamento adequado no país", afirmou Loch. Em 2015, acrescentou, a operação brasileira registrou o melhor resultado desde a chegada da farmacêutica ao Brasil. Globalmente, em 2014, o laboratório teve receitas de US$ 201, bilhões.
Stella Fontes - Valor Econômico
Além disso, planeja participar das chamadas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), firmadas entre laboratórios públicos e privados com o objetivo de transferir tecnologia e garantir a autossuficiência do mercado nacional desse tipo de medicamento.
No país desde 2009, a companhia americana atua no segmento nacional de genéricos por meio do Laboratório Bergamo, comprado em 2011 por US$ 215 milhões, e já está presente no segmento de biológicos, fármacos produzidos a partir de organismos vivos que serão o motor do crescimento da operação local nos próximos anos.
Em entrevista ao Valor, o presidente da Amgen no Brasil, Mauro Loch, contou que a farmacêutica está aguardando a nova lista de medicamentos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS) para definir a participação nas próximas PDPs. "Entendemos que a operação brasileira já amadureceu e agora estamos prontos para participar do processo", afirmou o executivo.
Hoje, a demanda de medicamentos biológicos no país é atendida integralmente pelas importações e o desejo do governo é transformar o país em plataforma global desses fármacos, a partir da transferência de tecnologia para alcançar produção 100% nacional. Em todo o mundo, o mercado de drogas biológicas é estimado em mais de US$ 160 bilhões por ano.
Desde 2012, o laboratório investiu cerca de R$ 32 milhões na fábrica do Bergamo, localizada em Taboão da Serra (SP), onde são produzidos principalmente genéricos e hormônio de crescimento a Amgen é a maior fornecedora ao mercado público nacional. Nos próximos anos, contou Loch, a farmacêutica pretende aplicar mais R$ 15 milhões na unidade fabril.
Atualmente, a Amgen tem negócios com genéricos apenas no Brasil e na Índia. No país, esses medicamentos são responsáveis por 65% do faturamento, que não é divulgado. A composição das receitas, porém, tende a mudar à medida que se confirmem os lançamentos previstos para os próximos 18 meses e as drogas biológicas devem ganhar participação maior nas receitas, hoje em 35%.
Além disso, em meados de dezembro, a Amgen recomprou da GlaxoSmithKline os direitos das drogras Prolia (denosumab, para tratamento da oesteoporose), Vectibix (panitumumab, para câncer do cólon) e Xgeva (denosumab, para câncer), em um acordo que envolve os principais mercados em expansão, incluindo o Brasil. Em 2014, a GSK gerou aproximadamente US$ 111 milhões em vendas combinadas a partir dessas licenças, que agora retornam ao portfólio da Amgen.
Dois desses medicamentos chegam ao mercado brasileiro já em 2016.
"Vamos trazer ao país produtos biológicos para patologias que ainda não contam com o tratamento adequado no país", afirmou Loch. Em 2015, acrescentou, a operação brasileira registrou o melhor resultado desde a chegada da farmacêutica ao Brasil. Globalmente, em 2014, o laboratório teve receitas de US$ 201, bilhões.
Stella Fontes - Valor Econômico
Projetos da Orygen e Bionovis recebem recursos do BNDES
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 401 milhões para instalação das fábricas da Bionovis e da Orygen para produção de medicamentos biotecnológicos.
A previsão é que o investimento total nos empreendimentos some R$ 1,1 bilhão. A Bionovis receberá R$ 201 milhões, enquanto a Orygen terá R$ 200 milhões. Os recursos estão no âmbito do programa BNDES Profarma.
Na Bionovis o valor total a ser aplicado é de R$ 629,1 milhões. Já a unidade da Orygen vai exigir R$ 546 milhões. As duas fábricas devem produzir, juntas, 13 medicamentos voltados para o combate ao câncer e a doenças autoimunes.
No caso da Bionovis, a nova fábrica já está sendo construída no município de Valinhos (SP). Terá capacidade para produzir 400 quilos de proteínas terapêuticas, mas com possibilidade de elevar capacidade, informou o presidente da empresa, Odnir Finotti.
"Existe demanda reprimida por esses medicamentos, por serem de alto valor. Hoje eles são importados", disse, acrescentando que o início da produção será em 2018. A intenção da companhia é exportar em torno de 30% da produção quando estiver em plena capacidade.
O executivo preferiu não informar números estimados de faturamento, devido ao fato de a Bionovis ser companhia ainda nascente. Mas disse que os sócios elevaram estimativa de aporte de capital para o período de 2012 a 2020, de R$ 500 milhões a R$ 750 milhões. A empresa é uma joint venture formada em 2012 pelas farmacêuticas Aché, EMS, Hypermarcas e União Química.
Já a Orygen, formada pelas farmacêuticas Biolab e Eurofarma, planeja para 2019 o início de produção na fábrica em construção em São Carlos (SP), informou o presidente da empresa, Andrew Simpson.
A nova unidade terá capacidade de produção de 200 quilos por ano. O plano da companhia é, após consolidar a operação, começar a fabricar medicamentos próprios cuja tecnologia de elaboração seja totalmente brasileira. De acordo com Simpson, a Orygen já assinou, com entidade de pesquisa, parceria para elaboração de medicamento biotecnológico inovador, cuja patente será brasileira. Ele disse que a companhia deve divulgar mais detalhes, no próximo mês, sobre a parceria e o projeto.
"O país deve ter a primeira fábrica de remédios biotecnológicos ainda este ano" disse o chefe de departamento de Produtos para Saúde do BNDES, Pedro Palmeira. A primeira fábrica, em Embu das Artes (SP), tem previsão de entrada em operação no 2º semestre. Pertence à empresa Libbs, que obteve um crédito de R$ 252,1 milhões do BNDES, aprovado em 2013. O projeto vai absorver recursos totais de R$ 571,9 milhões.
Na prática, a ideia por trás da aprovação dos financiamentos, de acordo com o chefe de departamento do BNDES, é criar um novo parque industrial tecnológico no país, voltado para remédios biotecnológicos. Trata-se de um mercado que movimenta em torno de US$ 100 bilhões no mundo, segundo dados da consultoria britânica Evaluate Pharma.
Os medicamentos biotecnológicos são produzidos a partir da biossíntese, ou seja, células modificadas geneticamente que dão origem a proteínas, hormônios ou a outros fluidos. Não substituem os sintéticos, mas são complementares e se mostram eficazes no combate às doenças crônicas - principalmente câncer. Isso porque os sintéticos combatem células boas e ruins, com fortes efeitos colaterais; já biotecnológicos agem na célula doente e preservam as demais, reduzindo impacto da medicação.
Para Palmeira, o crédito para as três fábricas representa o fim de um ciclo iniciado em 2009. "Foi quando começamos a trabalhar no desafio de construir um segmento [de biotecnologia] dentro do BNDES Profarma", disse. Ele informou que o BNDES notou "janela de oportunidade" entre 2014 e 2018, quando alguns medicamentos biotecnológicos importantes perderiam patente - e, consequentemente, teriam custo de produção reduzido.
A partir de 2009, o banco, assim como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), começaram a delinear a construção de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) envolvendo a estruturação de joint-ventures de empresas brasileiras para produzir biotecnológicos.
O projeto previu apoio de companhias multinacionais. Estas fariam a chamada "transferência de tecnologia" pois detinham a experiência para fabricar o produto aliado às compras feitas pelo governo. O maior comprador desse tipo de medicamento no país é o governo, devido as necessidade de Sistema Único de Saúde (SUS).
A atuação do banco na área de biotecnologia na indústria farmacêutica levou as liberações do subprograma Profarma Biotecnologia a atingir R$ 210 milhões em 2015, mais que o dobro de 2014 (R$ 94 milhões). Ao ser questionado se prevê novas aprovações, Palmeira apenas comentou este ano deve ser de consolidação dos projetos já apoiados.
O crescimento do setor no Brasil segue tendência mundial. Estudo da Evaluate Pharma mostrou que os biotecnológicos representaram 24% das vendas do mercado farmacêutico mundial em 2015, com previsão de chegar a 25% este ano; e 27% em 2020.
Alessandra Saraiva - Valor Econômico - 04/02/2016
A previsão é que o investimento total nos empreendimentos some R$ 1,1 bilhão. A Bionovis receberá R$ 201 milhões, enquanto a Orygen terá R$ 200 milhões. Os recursos estão no âmbito do programa BNDES Profarma.
Na Bionovis o valor total a ser aplicado é de R$ 629,1 milhões. Já a unidade da Orygen vai exigir R$ 546 milhões. As duas fábricas devem produzir, juntas, 13 medicamentos voltados para o combate ao câncer e a doenças autoimunes.
No caso da Bionovis, a nova fábrica já está sendo construída no município de Valinhos (SP). Terá capacidade para produzir 400 quilos de proteínas terapêuticas, mas com possibilidade de elevar capacidade, informou o presidente da empresa, Odnir Finotti.
"Existe demanda reprimida por esses medicamentos, por serem de alto valor. Hoje eles são importados", disse, acrescentando que o início da produção será em 2018. A intenção da companhia é exportar em torno de 30% da produção quando estiver em plena capacidade.
O executivo preferiu não informar números estimados de faturamento, devido ao fato de a Bionovis ser companhia ainda nascente. Mas disse que os sócios elevaram estimativa de aporte de capital para o período de 2012 a 2020, de R$ 500 milhões a R$ 750 milhões. A empresa é uma joint venture formada em 2012 pelas farmacêuticas Aché, EMS, Hypermarcas e União Química.
Já a Orygen, formada pelas farmacêuticas Biolab e Eurofarma, planeja para 2019 o início de produção na fábrica em construção em São Carlos (SP), informou o presidente da empresa, Andrew Simpson.
A nova unidade terá capacidade de produção de 200 quilos por ano. O plano da companhia é, após consolidar a operação, começar a fabricar medicamentos próprios cuja tecnologia de elaboração seja totalmente brasileira. De acordo com Simpson, a Orygen já assinou, com entidade de pesquisa, parceria para elaboração de medicamento biotecnológico inovador, cuja patente será brasileira. Ele disse que a companhia deve divulgar mais detalhes, no próximo mês, sobre a parceria e o projeto.
"O país deve ter a primeira fábrica de remédios biotecnológicos ainda este ano" disse o chefe de departamento de Produtos para Saúde do BNDES, Pedro Palmeira. A primeira fábrica, em Embu das Artes (SP), tem previsão de entrada em operação no 2º semestre. Pertence à empresa Libbs, que obteve um crédito de R$ 252,1 milhões do BNDES, aprovado em 2013. O projeto vai absorver recursos totais de R$ 571,9 milhões.
Na prática, a ideia por trás da aprovação dos financiamentos, de acordo com o chefe de departamento do BNDES, é criar um novo parque industrial tecnológico no país, voltado para remédios biotecnológicos. Trata-se de um mercado que movimenta em torno de US$ 100 bilhões no mundo, segundo dados da consultoria britânica Evaluate Pharma.
Os medicamentos biotecnológicos são produzidos a partir da biossíntese, ou seja, células modificadas geneticamente que dão origem a proteínas, hormônios ou a outros fluidos. Não substituem os sintéticos, mas são complementares e se mostram eficazes no combate às doenças crônicas - principalmente câncer. Isso porque os sintéticos combatem células boas e ruins, com fortes efeitos colaterais; já biotecnológicos agem na célula doente e preservam as demais, reduzindo impacto da medicação.
Para Palmeira, o crédito para as três fábricas representa o fim de um ciclo iniciado em 2009. "Foi quando começamos a trabalhar no desafio de construir um segmento [de biotecnologia] dentro do BNDES Profarma", disse. Ele informou que o BNDES notou "janela de oportunidade" entre 2014 e 2018, quando alguns medicamentos biotecnológicos importantes perderiam patente - e, consequentemente, teriam custo de produção reduzido.
A partir de 2009, o banco, assim como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), começaram a delinear a construção de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) envolvendo a estruturação de joint-ventures de empresas brasileiras para produzir biotecnológicos.
O projeto previu apoio de companhias multinacionais. Estas fariam a chamada "transferência de tecnologia" pois detinham a experiência para fabricar o produto aliado às compras feitas pelo governo. O maior comprador desse tipo de medicamento no país é o governo, devido as necessidade de Sistema Único de Saúde (SUS).
A atuação do banco na área de biotecnologia na indústria farmacêutica levou as liberações do subprograma Profarma Biotecnologia a atingir R$ 210 milhões em 2015, mais que o dobro de 2014 (R$ 94 milhões). Ao ser questionado se prevê novas aprovações, Palmeira apenas comentou este ano deve ser de consolidação dos projetos já apoiados.
O crescimento do setor no Brasil segue tendência mundial. Estudo da Evaluate Pharma mostrou que os biotecnológicos representaram 24% das vendas do mercado farmacêutico mundial em 2015, com previsão de chegar a 25% este ano; e 27% em 2020.
Alessandra Saraiva - Valor Econômico - 04/02/2016
Farmoquímica compra a Melora, de dermocosméticos
Poucas categorias têm sido tão cobiçadas e atraído tantos novos participantes. O mais recente é o grupo FQM, dono dos laboratórios Farmoquímica e Herbarium, que comprou a Melora, fabricante de dermocosméticos do grupo espanhol IFC. O valor do negócio não foi informado.
"O mais importante é a parte estratégica", diz Fernando Itzaina, diretorpresidente do grupo FQM. Isso porque o negócio inclui um acordo de intercâmbio de tecnologia em que os produtos da FQM podem ser vendidos nos mercados do grupo IFC, enquanto a empresa brasileira, com sede no Rio, poderá lançar por aqui os produtos desenvolvidos pela Melora. "Essa talvez seja a parte mais importante do acordo, porque permite trazer um portfólio renovado nos próximos anos", afirma o executivo.
O grupo FQM é formado por três divisões de negócio: farmacêutica, especializada na venda de medicamentos como o xarope Abrilar e o vermífugo Anitta nutricional, com a marca de Invictus? e dermatológica, com produtos para o tratamento de cicatrizes e acne, por exemplo. A empresa terá uma quarta divisão depois da compra da Melora, a de dermocosméticos.
O faturamento da FQM somou R$ 736 milhões em 2015, alta de 12% em relação aos 12 meses anteriores. A linha de dermatologia, sem considerar a aquisição, representa 15% das vendas, superando R$ 100 milhões, e cresceu 29% no ano passado. A Melora faturou R$ 25 milhões em 2015, alta de 10%.
"A Melora está muito concentrada nas capitais. A Farmoquímica tem uma capilaridade maior e pode ajudar a ampliar essa distribuição", diz Itznaina. Outro plano é transferir a produção da marca para a fábrica da FQM, no prazo de um a dois anos. "Os produtos são importados e o pagamento em euros e dólares acaba inviabilizando a venda de muitos itens no Brasil."
Quase toda a produção da FQM é feita na fábrica de Jacaré (RJ), que está em expansão. O plano é acelerar a linha de produtos em desenvolvimento e investir em eficiência. O plano de produtividade industrial criado há cinco anos já trouxe economias de R$ 25 milhões, segundo o presidente. Uma das ideias, colocada em prática há dois anos, foi deixar o estoque mais enxuto. "A ideia é manter o patamar de rentabilidade para ter fôlego para novos investimentos."
Não é a primeira vez que o FQM entra em uma nova categoria de negócio por meio de uma aquisição. Em 2012 a companhia adquiriu a SKL Pharma, especialista em produtos para o bom funcionamento digestivo e em suplementos para nutrição. A marca foi renomeada como Invictus.
A companhia afirma que seu crescimento está acima da média do mercado farmacêutico, de 10%, e quer aproveitar o potencial do mercado de dermocosméticos, um dos poucos a ainda superar a inflação. Em 2015, o volume de vendas da categoria nas farmácias subiu 11%, para mais de 50 milhões de unidades, enquanto os preços aumentaram 12,1%, segundo a IMS Health.
Tatiane Bortolozi - Valor Econômico - 05/02/2016
Biomm muda plano e fábrica entrará em operação em 2018
A Biomm, companhia fundada em 2001 pelos irmãos Marcos e Walfrido dos Mares Guia e pelo empresário Guilherme Emrich para produzir insulina, reviu os planos para sua operação fabril, mas manteve em 2017 a data de estreia no mercado brasileiro.
O portfólio de negócios também foi revisto e outros medicamentos biológicos, que são hoje a principal aposta da indústria farmacêutica global, entraram na radar da empresa.
A fábrica que está em construção em Nova Lima (MG) começará a produzir insulina em 2018, um ano mais tarde do que o originalmente planejado, diante da decisão dos acionistas de tocar o projeto em fases. Porém, por meio de acordos comerciais firmados com dois laboratórios estrangeiros, da Polônia e da China, a Biomm importará o medicamento para vendêlo localmente a partir da primeira metade do ano que vem.
"Nós otimizamos o projeto e vamos chegar ao mercado em 2017, dentro do prazo previsto. A diferença é que vamos iniciar a comercialização antes de finalizar a fábrica", afirma Heraldo Marchezini, presidente da companhia farmacêutica.
Segundo Marchezini, a execução do investimento em fases reflete a maior complexidade de uma unidade produtiva de biológicos e do processo de pesquisa e desenvolvimento, além da mudança do ambiente macroeconômico. "O risco, a tecnologia, os investimentos são muito diferentes da farmacêutica padrão", afirma, acrescentando que há fila nos fornecedores para encomenda de equipamentos usados na produção desses medicamentos considerados de ponta.
A fábrica da Biomm, produzida pela Bosch, já está pronta na Alemanha e será transferida para o prédio em Nova Lima ao longo deste ano. A expectativa é a de que as etapas regulatórias para início de produção sejam cumpridas em 2017, com partida oficial da unidade no ano seguinte.
A companhia vai produzir insulina humana recombinante, que é um medicamento biológico, e a insulina análoga (glargina).
Antes do início de operação, a polonesa Bioton vai fornecer à Biomm o primeiro medicamento e a chinesa Gang&Lee Pharmaceutical entregará o segundo tipo de insulina, que no Brasil conta com um único fornecedor, a francesa Sanofi. O pedido de registro foi encaminhado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano passado.
Essas empresas parceiras serão, num segundo momento, fornecedoras também do princípio ativo. A meta da companhia brasileira, porém, é ser uma indústria vertical e produzir no futuro sua própria matéria-prima.
O projeto da farmacêutica, que herdou patentes do processo de produção de insulina da antiga Biobrás, vai exigir investimento total da ordem de R$ 500 milhões, incluindo capital de giro. Até agora, a Biomm já levantou R$ 330 milhões, entre dívida cerca de R$ 200 milhões, sobretudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e uma recapitalização de R$ 130 milhões, em 2013, que culminou na entrada de um fundo da TMG Capital e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) no quadro de acionistas da empresa. Em janeiro do ano seguinte, as ações da companhia passaram a ser negociadas no Bovespa Mais, mercado de acesso da BM&FBovespa, e hoje 22,9% dos papéis estão no mercado.
A Biomm tem ainda entre seus acionistas o próprio BNDES, além do ex-ministro do governo Lula, Walfrido dos Mares Guia, a viúva de Marcos dos Mares Guia, Henriqueta e Guilherme Emrich, que no início dos anos 2000 venderam a antiga Biobrás para o Novo Nordisk, maior fabricante mundial de insulina. Considerada a primeira biofarmacêutica do país, a Biobrás chegou a ser envolvida em investigações da Polícia Federal da chamada Máfia dos Vampiros.
De acordo com Marchezini, que antes de assumir o comando da Biomm teve passagens pela Sanofi, Rhodia Farma e Aventis, a capacidade instalada da fábrica será similar ao tamanho mercado brasileiro estimado em mais de 20 milhões de frascos por ano e a unidade vai produzir também carpules, uma espécie de tubete com insulina que é encaixado na agulha.
Hoje, a liderança do mercado brasileiro de insulinas, estimado em cerca de R$ 800 milhões por ano, é disputada de perto entre o Novo Nordisk, a Eli Lilly e a Sanofi. A taxa de crescimento da demanda, por sua vez, gira em torno de 10% ao ano.
"Temos um produto de altíssima qualidade e competitivo", diz o executivo. "E, embora a Biomm tenha um portfólio corrente em insulina, queremos estar em outros biológicos", acrescenta, revelando apenas que já há conversas nesse sentido na área de anticorpos monoclonais, que têm sido usados no tratamento de diversos tipos de câncer.
Stella Fontes - Valor Econômico
O portfólio de negócios também foi revisto e outros medicamentos biológicos, que são hoje a principal aposta da indústria farmacêutica global, entraram na radar da empresa.
A fábrica que está em construção em Nova Lima (MG) começará a produzir insulina em 2018, um ano mais tarde do que o originalmente planejado, diante da decisão dos acionistas de tocar o projeto em fases. Porém, por meio de acordos comerciais firmados com dois laboratórios estrangeiros, da Polônia e da China, a Biomm importará o medicamento para vendêlo localmente a partir da primeira metade do ano que vem.
"Nós otimizamos o projeto e vamos chegar ao mercado em 2017, dentro do prazo previsto. A diferença é que vamos iniciar a comercialização antes de finalizar a fábrica", afirma Heraldo Marchezini, presidente da companhia farmacêutica.
Segundo Marchezini, a execução do investimento em fases reflete a maior complexidade de uma unidade produtiva de biológicos e do processo de pesquisa e desenvolvimento, além da mudança do ambiente macroeconômico. "O risco, a tecnologia, os investimentos são muito diferentes da farmacêutica padrão", afirma, acrescentando que há fila nos fornecedores para encomenda de equipamentos usados na produção desses medicamentos considerados de ponta.
A fábrica da Biomm, produzida pela Bosch, já está pronta na Alemanha e será transferida para o prédio em Nova Lima ao longo deste ano. A expectativa é a de que as etapas regulatórias para início de produção sejam cumpridas em 2017, com partida oficial da unidade no ano seguinte.
A companhia vai produzir insulina humana recombinante, que é um medicamento biológico, e a insulina análoga (glargina).
Antes do início de operação, a polonesa Bioton vai fornecer à Biomm o primeiro medicamento e a chinesa Gang&Lee Pharmaceutical entregará o segundo tipo de insulina, que no Brasil conta com um único fornecedor, a francesa Sanofi. O pedido de registro foi encaminhado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano passado.
Essas empresas parceiras serão, num segundo momento, fornecedoras também do princípio ativo. A meta da companhia brasileira, porém, é ser uma indústria vertical e produzir no futuro sua própria matéria-prima.
O projeto da farmacêutica, que herdou patentes do processo de produção de insulina da antiga Biobrás, vai exigir investimento total da ordem de R$ 500 milhões, incluindo capital de giro. Até agora, a Biomm já levantou R$ 330 milhões, entre dívida cerca de R$ 200 milhões, sobretudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e uma recapitalização de R$ 130 milhões, em 2013, que culminou na entrada de um fundo da TMG Capital e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) no quadro de acionistas da empresa. Em janeiro do ano seguinte, as ações da companhia passaram a ser negociadas no Bovespa Mais, mercado de acesso da BM&FBovespa, e hoje 22,9% dos papéis estão no mercado.
A Biomm tem ainda entre seus acionistas o próprio BNDES, além do ex-ministro do governo Lula, Walfrido dos Mares Guia, a viúva de Marcos dos Mares Guia, Henriqueta e Guilherme Emrich, que no início dos anos 2000 venderam a antiga Biobrás para o Novo Nordisk, maior fabricante mundial de insulina. Considerada a primeira biofarmacêutica do país, a Biobrás chegou a ser envolvida em investigações da Polícia Federal da chamada Máfia dos Vampiros.
De acordo com Marchezini, que antes de assumir o comando da Biomm teve passagens pela Sanofi, Rhodia Farma e Aventis, a capacidade instalada da fábrica será similar ao tamanho mercado brasileiro estimado em mais de 20 milhões de frascos por ano e a unidade vai produzir também carpules, uma espécie de tubete com insulina que é encaixado na agulha.
Hoje, a liderança do mercado brasileiro de insulinas, estimado em cerca de R$ 800 milhões por ano, é disputada de perto entre o Novo Nordisk, a Eli Lilly e a Sanofi. A taxa de crescimento da demanda, por sua vez, gira em torno de 10% ao ano.
"Temos um produto de altíssima qualidade e competitivo", diz o executivo. "E, embora a Biomm tenha um portfólio corrente em insulina, queremos estar em outros biológicos", acrescenta, revelando apenas que já há conversas nesse sentido na área de anticorpos monoclonais, que têm sido usados no tratamento de diversos tipos de câncer.
Stella Fontes - Valor Econômico
Aché vai acelerar lançamento de MIP para ficar entre os três maiores do país
Ao mesmo tempo em que ganhou força no país o debate sobre a possível ampliação do mercado de medicamentos isentos de prescrição (MIP, ou OTC em inglês), o laboratório Aché colocou em marcha uma estratégia ancorada sobretudo em lançamentos para estar, até 2030, entre os três maiores do segmento, que no ano passado movimentou mais de R$ 16 bilhões.
Hoje, o portfólio da farmacêutica, que já está no grupo dos 10 maiores, garante presença em apenas 40% do mercado brasileiro de MIPs. A meta é torná-lo mais abrangente, permitindo a entrada do Aché em áreas de tamanho relevante, como a de analgésicos, ou de crescimento acelerado.
"Estamos olhando os grandes mercados e também aqueles menores com taxa de expansão elevada, como o de vitamina D", disse ao Valor o diretor responsável por MIP na farmacêutica, Cesar Bentim. No ano passado, quando as vendas cresceram 12%, essa área contribuiu com quase R$ 360 milhões do faturamento total do laboratório, ou o equivalente a 11%. Para 2016, a expectativa é de expansão de 13% nas receitas com MIP.
Conforme Bentim, a estratégia de longo prazo para o negócio de remédios isentos de prescrição começou a ser pensada após a chegada do executivo Paulo Nigro, ex- Tetra Pak, ao comando do laboratório, no fim de 2014. À época, o novo presidente-executivo assumiu as discussões do Planejamento Estratégico 2030, que, entre outras metas, estabelece que o laboratório vai se internacionalizar e buscar dobrar de tamanho a cada cinco anos.
"Fez todo sentido um planejamento de longo prazo, especialmente para a área de MIP", afirmou Bentim. "Tentar estar entre os três maiores em cinco anos não seria possível também por causa dos prazos [extensos] da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]", acrescentou.
No órgão regulador, o debate em torno da ampliação dessa classe de medicamentos pode trazer resultados no curtíssimo prazo - para a indústria farmacêutica, a nova regulação está bem perto de ser publicada. E a mudança nos critérios de classificação pode dar mais fôlego à estratégia do Aché, que já produz certos remédios de tarja vermelha que passariam a ser vendidos sem prescrição, como o omeprazol, usado no tratamento de doenças de estômago.
A expectativa da indústria é a de que, nos próximos meses, a nova regulamentação libere mais 30 categorias de medicamentos para comercialização sem necessidade de receita médica. A medida ampliará o mercado nacional de MIPs, que hoje já corresponde a 35% das vendas de medicamentos no varejo brasileiro, com cerca de 1 bilhão de unidades por ano.
O executivo cita ainda um estudo da americana Consumer Healthcare Products Association (CHPA) que indica que, para cada dólar desembolsado com medicamentos isentos de prescrição, US$ 7 são economizados em outros gastos com saúde, como uma visita ao pronto-socorro, por exemplo.
"Apoiamos a regulação do mercado de MIPs com vistas a ampliá-lo", reiterou.
Hoje, os medicamentos do Aché mais vendidos nessa categoria são o Decongex (antialérgico), Flogoral (usado no combate de processos inflamatórios da boca e garganta), Sorine (solução nasal) e Sintocalmy (produzido à base de Passiflora). Juntos, representam 60% das vendas na área de MIP.
Além de novos produtos, o Aché vai trabalhar em mais apresentações e versões para marcas já estabelecidas. Nesse sentido, o mais recente lançamento é o Biofenac Hot, adesivo térmico descartável que proporciona alívio da dor. "É fundamental acelerar o lançamento de produtos", afirmou.
Segundo o executivo, novos produtos, combinados a marketing e conhecimento da nossa força de venda, são os ingredientes necessários ao cumprimento da meta de longo prazo, em um mercado conhecido pela concorrência acirrada. "Prazo e desconto são lugares comuns", disse.
Stella Fontes - Valor Econômico - 10/03/2016
Hoje, o portfólio da farmacêutica, que já está no grupo dos 10 maiores, garante presença em apenas 40% do mercado brasileiro de MIPs. A meta é torná-lo mais abrangente, permitindo a entrada do Aché em áreas de tamanho relevante, como a de analgésicos, ou de crescimento acelerado.
"Estamos olhando os grandes mercados e também aqueles menores com taxa de expansão elevada, como o de vitamina D", disse ao Valor o diretor responsável por MIP na farmacêutica, Cesar Bentim. No ano passado, quando as vendas cresceram 12%, essa área contribuiu com quase R$ 360 milhões do faturamento total do laboratório, ou o equivalente a 11%. Para 2016, a expectativa é de expansão de 13% nas receitas com MIP.
Conforme Bentim, a estratégia de longo prazo para o negócio de remédios isentos de prescrição começou a ser pensada após a chegada do executivo Paulo Nigro, ex- Tetra Pak, ao comando do laboratório, no fim de 2014. À época, o novo presidente-executivo assumiu as discussões do Planejamento Estratégico 2030, que, entre outras metas, estabelece que o laboratório vai se internacionalizar e buscar dobrar de tamanho a cada cinco anos.
"Fez todo sentido um planejamento de longo prazo, especialmente para a área de MIP", afirmou Bentim. "Tentar estar entre os três maiores em cinco anos não seria possível também por causa dos prazos [extensos] da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]", acrescentou.
No órgão regulador, o debate em torno da ampliação dessa classe de medicamentos pode trazer resultados no curtíssimo prazo - para a indústria farmacêutica, a nova regulação está bem perto de ser publicada. E a mudança nos critérios de classificação pode dar mais fôlego à estratégia do Aché, que já produz certos remédios de tarja vermelha que passariam a ser vendidos sem prescrição, como o omeprazol, usado no tratamento de doenças de estômago.
A expectativa da indústria é a de que, nos próximos meses, a nova regulamentação libere mais 30 categorias de medicamentos para comercialização sem necessidade de receita médica. A medida ampliará o mercado nacional de MIPs, que hoje já corresponde a 35% das vendas de medicamentos no varejo brasileiro, com cerca de 1 bilhão de unidades por ano.
O executivo cita ainda um estudo da americana Consumer Healthcare Products Association (CHPA) que indica que, para cada dólar desembolsado com medicamentos isentos de prescrição, US$ 7 são economizados em outros gastos com saúde, como uma visita ao pronto-socorro, por exemplo.
"Apoiamos a regulação do mercado de MIPs com vistas a ampliá-lo", reiterou.
Hoje, os medicamentos do Aché mais vendidos nessa categoria são o Decongex (antialérgico), Flogoral (usado no combate de processos inflamatórios da boca e garganta), Sorine (solução nasal) e Sintocalmy (produzido à base de Passiflora). Juntos, representam 60% das vendas na área de MIP.
Além de novos produtos, o Aché vai trabalhar em mais apresentações e versões para marcas já estabelecidas. Nesse sentido, o mais recente lançamento é o Biofenac Hot, adesivo térmico descartável que proporciona alívio da dor. "É fundamental acelerar o lançamento de produtos", afirmou.
Segundo o executivo, novos produtos, combinados a marketing e conhecimento da nossa força de venda, são os ingredientes necessários ao cumprimento da meta de longo prazo, em um mercado conhecido pela concorrência acirrada. "Prazo e desconto são lugares comuns", disse.
Stella Fontes - Valor Econômico - 10/03/2016
Natulab planeja crescer no Brasil com aquisições
A Natulab, farmacêutica controlada pelo Pátria Investimentos, vai às compras em 2016 para ampliar presença no mercado brasileiro.
Estão no alvo empresas com faturamento em torno de R$ 150 milhões, provavelmente do segmento de medicamentos de prescrição, que complementariam seu portfólio. Essa cifra, porém, não corresponde ao teto do que o grupo poderá empenhar em uma transação.
"Não estamos limitados a esse valor", afirma o presidente da Natulab, Wilson Borges.
Conforme o executivo, que chegou ao grupo em dezembro e contabiliza 35 anos de experiência no mercado farmacêutico, dos quais quase 20 anos em dois diferentes períodos na Pfizer, a Natulab tem fôlego financeiro para fechar um negócio mais vultoso caso surja uma boa oportunidade. "Se houver um grande negócio de genéricos à venda, temos apetite. Mas não está nos planos entrar nesse segmento por meio de uma pequena empresa", diz.
As transações serão pagas com dinheiro do caixa e aportes adicionais do Pátria, que em 2013 comprou o controle da Natulab, ou 65% do capital total, em operação estimada pelo mercado em R$ 130 milhões. No setor farmacêutico, o Pátria já investiu na Elfa Medicamentos, fundada na Paraíba, e na fabricante de próteses hospitalares MDT.
A Natulab tem olhado ativos desde o ano passado e trabalha com a expectativa de alguma acomodação nos preços, que subiram de forma significativa na esteira do forte interesse de multinacionais em operações locais e dos prognósticos positivos para as vendas de medicamentos no longo prazo.
No ápice, o valor das operações de compra e venda de laboratórios no país chegou a corresponder a 10 vezes o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). "O mercado está bastante aquecido, com ativos ainda caros. Mas queremos fechar ao menos uma aquisição em 2016", diz Borges. Um segundo negócio poderá se concretizar entre 2017 e 2018.
A compra de empresas, na realidade, faz parte de um pacote mais amplo de medidas que a companhia acaba de colocar em marcha para se tornar, em três anos, uma farmacêutica com presença nacional e no hall das dez maiores do país no segmento de medicamentos isentos de prescrição (OTC, na sigla em inglês) por receitas.
Hoje, a Natulab ocupa a 18ª posição nesse segmento, em valores, segundo dados da consultoria IMS Health. Em unidades, porém, já é a 6ª maior do mercado de OTC, que responde por cerca de 60% do faturamento do grupo.
No ranking geral, a meta é estar entre as 30 maiores empresas farmacêuticas do Brasil em valores - atualmente é a 51ª em receitas e 21ª em unidades. No segmento de fitoterápicos, é dona da marca Sintocalmy, líder de mercado.
No comando da reorganização da companhia, Borges reconhece que o projeto da Natulab é ousado e o objetivo final, que implica necessidade de crescimento médio de 17% ou 18% ao ano, ambicioso. Mas, para ele, as metas são factíveis. "O grupo já subiu 40 posições no ranking em cinco anos, com a diversificação de portfólio." Fundada há quinze anos na Bahia pelos irmãos Marconi Sampaio e Milton Júnior, que juntos detêm cerca de 5% da empresa, a Natulab encerrou 2015 com vendas líquidas de R$ 217 milhões e projeta R$ 240 milhões para este ano. A estratégia de crescimento, que já passou pela profissionalização do grupo, inclui ainda transferência da sede de Santo Antônio de Jesus, na Bahia, para a capital paulista. A expectativa é a de que, em dois meses, a área administrativa esteja nas novas instalações.
"Para crescer, é preciso estar no maior mercado [de medicamentos], que é o Sudeste", afirma o executivo, referindo-se tanto à transferência da sede quanto a outro pilar do planejamento estratégico, a nacionalização das vendas. Por enquanto, mais de 60% dos negócios do laboratório estão concentrados no Norte e Nordeste do país.
Com a contratação de novos profissionais de vendas, a transferência da sede e a ampliação das instalações fabris na Bahia, haverá condições para ganhar espaço nos mercados do Sul, diz Borges. O grupo prevê ampliar vendas por meio das grandes redes de drogarias - hoje o forte da Natulab está nas farmácias independentes -, que representam 55% do mercado.
Nos últimos dois anos, a empresa investiu R$ 60 milhões para ampliar a capacidade de produção no complexo de Santo Antônio de Jesus, onde trabalha quase 1% da população do município (de 100 mil habitantes). Em 2016, outros R$ 40 milhões serão aportados nesse projeto, que resultará na transferência dos produtos fitoterápicos e dos suplementos da marca Naturelife para uma nova fábrica na metade do ano. O investimento permitirá iniciar a produção de dermocosméticos, novo mercado para o grupo. Em 2015, a Natulab produziu 120 milhões de unidades. Com a expansão do complexo, a capacidade instalada passará de 210 milhões de unidades para 340 milhões de unidades por ano.
Stella Fontes - Valor Econômico - 05/04/2016
Estão no alvo empresas com faturamento em torno de R$ 150 milhões, provavelmente do segmento de medicamentos de prescrição, que complementariam seu portfólio. Essa cifra, porém, não corresponde ao teto do que o grupo poderá empenhar em uma transação.
"Não estamos limitados a esse valor", afirma o presidente da Natulab, Wilson Borges.
Conforme o executivo, que chegou ao grupo em dezembro e contabiliza 35 anos de experiência no mercado farmacêutico, dos quais quase 20 anos em dois diferentes períodos na Pfizer, a Natulab tem fôlego financeiro para fechar um negócio mais vultoso caso surja uma boa oportunidade. "Se houver um grande negócio de genéricos à venda, temos apetite. Mas não está nos planos entrar nesse segmento por meio de uma pequena empresa", diz.
As transações serão pagas com dinheiro do caixa e aportes adicionais do Pátria, que em 2013 comprou o controle da Natulab, ou 65% do capital total, em operação estimada pelo mercado em R$ 130 milhões. No setor farmacêutico, o Pátria já investiu na Elfa Medicamentos, fundada na Paraíba, e na fabricante de próteses hospitalares MDT.
A Natulab tem olhado ativos desde o ano passado e trabalha com a expectativa de alguma acomodação nos preços, que subiram de forma significativa na esteira do forte interesse de multinacionais em operações locais e dos prognósticos positivos para as vendas de medicamentos no longo prazo.
No ápice, o valor das operações de compra e venda de laboratórios no país chegou a corresponder a 10 vezes o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). "O mercado está bastante aquecido, com ativos ainda caros. Mas queremos fechar ao menos uma aquisição em 2016", diz Borges. Um segundo negócio poderá se concretizar entre 2017 e 2018.
A compra de empresas, na realidade, faz parte de um pacote mais amplo de medidas que a companhia acaba de colocar em marcha para se tornar, em três anos, uma farmacêutica com presença nacional e no hall das dez maiores do país no segmento de medicamentos isentos de prescrição (OTC, na sigla em inglês) por receitas.
Hoje, a Natulab ocupa a 18ª posição nesse segmento, em valores, segundo dados da consultoria IMS Health. Em unidades, porém, já é a 6ª maior do mercado de OTC, que responde por cerca de 60% do faturamento do grupo.
No ranking geral, a meta é estar entre as 30 maiores empresas farmacêuticas do Brasil em valores - atualmente é a 51ª em receitas e 21ª em unidades. No segmento de fitoterápicos, é dona da marca Sintocalmy, líder de mercado.
No comando da reorganização da companhia, Borges reconhece que o projeto da Natulab é ousado e o objetivo final, que implica necessidade de crescimento médio de 17% ou 18% ao ano, ambicioso. Mas, para ele, as metas são factíveis. "O grupo já subiu 40 posições no ranking em cinco anos, com a diversificação de portfólio." Fundada há quinze anos na Bahia pelos irmãos Marconi Sampaio e Milton Júnior, que juntos detêm cerca de 5% da empresa, a Natulab encerrou 2015 com vendas líquidas de R$ 217 milhões e projeta R$ 240 milhões para este ano. A estratégia de crescimento, que já passou pela profissionalização do grupo, inclui ainda transferência da sede de Santo Antônio de Jesus, na Bahia, para a capital paulista. A expectativa é a de que, em dois meses, a área administrativa esteja nas novas instalações.
"Para crescer, é preciso estar no maior mercado [de medicamentos], que é o Sudeste", afirma o executivo, referindo-se tanto à transferência da sede quanto a outro pilar do planejamento estratégico, a nacionalização das vendas. Por enquanto, mais de 60% dos negócios do laboratório estão concentrados no Norte e Nordeste do país.
Com a contratação de novos profissionais de vendas, a transferência da sede e a ampliação das instalações fabris na Bahia, haverá condições para ganhar espaço nos mercados do Sul, diz Borges. O grupo prevê ampliar vendas por meio das grandes redes de drogarias - hoje o forte da Natulab está nas farmácias independentes -, que representam 55% do mercado.
Nos últimos dois anos, a empresa investiu R$ 60 milhões para ampliar a capacidade de produção no complexo de Santo Antônio de Jesus, onde trabalha quase 1% da população do município (de 100 mil habitantes). Em 2016, outros R$ 40 milhões serão aportados nesse projeto, que resultará na transferência dos produtos fitoterápicos e dos suplementos da marca Naturelife para uma nova fábrica na metade do ano. O investimento permitirá iniciar a produção de dermocosméticos, novo mercado para o grupo. Em 2015, a Natulab produziu 120 milhões de unidades. Com a expansão do complexo, a capacidade instalada passará de 210 milhões de unidades para 340 milhões de unidades por ano.
Stella Fontes - Valor Econômico - 05/04/2016
Fim de patentes pode inflar receita de fabricantes de genéricos em R$ 615 milhões
As farmacêuticas que produzem de genéricos estão concentrando seus esforços para produzir medicamentos que perderam a patente no ano passado ou tinham apenas versões similares no mercado.
Levantamento feito pela Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos) mostra que, em 2015, foram autorizadas a reprodução de cópias de 35 medicamentos. A expectativa das indústrias do setor é de uma receita extra de R$ 615 milhões por ano.
Empresas como a EMS, NeoQuímica (da Hypermarcas) e Medley (da francesa Sanofi) já começaram a colocar no mercado alguns dos medicamentos mais vendidos da lista dos produtos autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apurou o Estado. A lista de princípios ativos que poderão ser transformados em genéricos deverá engrossar ao longo dos próximos anos. A Pró Genéricos estima receita extra de R$ 1,7 bilhão até 2025.
Com uma expectativa de crescimento menor para este ano, o setor farmacêutico, até então blindado pela crise econômica, começou a ficar em alerta. Os altos custos de produção estão espremendo ainda mais as margens das indústrias, que já começaram a reduzir os descontos nos medicamentos no varejo, segundo fontes.
Como boa parte dos insumos farmacêuticos é importado – a valorização do dólar afeta o setor –, os custos com mão de obra e energia, além do reajuste abaixo da inflação para os remédios controlados pelo governo, as indústrias já projetam um crescimento entre 5% e 7% em2016, frente 10% no passado, segundo Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma.
As indústrias de genéricos, que sempre cresceram acima de dois dígitos desde o início dos anos 2000, quando a Lei dos Genéricos entrou em vigor, afirmam que avançaram “apenas” 8% no acumulado dos 12 meses, até fevereiro.
“As incertezas sobre a crise política e econômica não nos permite fazer uma projeção para o ano. A nosso favor, conta o fato de os medicamentos genéricos serem mais baratos que os de referência (com patente). Com a crise, os consumidores estão substituindo produtos de referência pelos sem marca”, diz Telma Salles, presidente da Pró Genéricos.
Em unidades, a fatia dos genéricos respondeu por 29,2% do total dos medicamentos vendidos no País, nos 12 meses encerrados em fevereiro.
Estratégia. A Neo Química tem sido uma das mais agressivas nesse mercado. A empresa já colocou no mercado o Torsilax, versão similar – também conhecida como “genérico de marca” – do anti-inflamatório Tandrilax, um dos carros¬chefes do laboratório nacional Aché. A estimativa é de que a versão genérica do Tandrilax movimente, sozinha, quase R$ 80 milhões dos R$ 615 milhões de faturamento estimados para a lista dos 35 medicamentos.
O laboratório da Hypermarcas informou que planeja lançar em 2016 ao menos três produtos dentre os que tiveram queda de patente recentemente: tadalafila, celecoxibe e cloridrato de olopatadina. Todos devem chegar às farmácias no segundo semestre. Líder no segmento de genéricos, a EMS, de Hortolândia (SP), informou que já tem a aprovação da Anvisa para produzir até dez medicamentos, que serão lançados nos próximos três meses.
Entre eles, está a versão genérica do antidepressivo Donaren, que movimentou cerca de R$ 50 milhões e é o segundo mais vendido nos segmento, atrás do Tandrilax, na lista dos liberados pela Anvisa em 2015.
Outra aposta da EMS é a versão genérica do Ezetimiba+Sinvastatina, que combate o colesterol e deve ser a responsável por uma das maiores receitas dessas novas safras, com um mercado de R$ 150 milhões.
Carlos Aguiar, diretor de negócios da Medley, informou que ao longo de 2015 a empresa lançou dois genéricos: a tadalafila (versão do Cialis), para disfunção erétil, e o antidepressivo escitalopram (Lexapro). Para este ano estão previstos quatro lançamentos – dois deles já feitos no primeiro trimestre.
Mônica Scaramuzzo - O Estado de S. Paulo - 06/04/2016
Levantamento feito pela Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos) mostra que, em 2015, foram autorizadas a reprodução de cópias de 35 medicamentos. A expectativa das indústrias do setor é de uma receita extra de R$ 615 milhões por ano.
Empresas como a EMS, NeoQuímica (da Hypermarcas) e Medley (da francesa Sanofi) já começaram a colocar no mercado alguns dos medicamentos mais vendidos da lista dos produtos autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apurou o Estado. A lista de princípios ativos que poderão ser transformados em genéricos deverá engrossar ao longo dos próximos anos. A Pró Genéricos estima receita extra de R$ 1,7 bilhão até 2025.
Com uma expectativa de crescimento menor para este ano, o setor farmacêutico, até então blindado pela crise econômica, começou a ficar em alerta. Os altos custos de produção estão espremendo ainda mais as margens das indústrias, que já começaram a reduzir os descontos nos medicamentos no varejo, segundo fontes.
Como boa parte dos insumos farmacêuticos é importado – a valorização do dólar afeta o setor –, os custos com mão de obra e energia, além do reajuste abaixo da inflação para os remédios controlados pelo governo, as indústrias já projetam um crescimento entre 5% e 7% em2016, frente 10% no passado, segundo Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma.
As indústrias de genéricos, que sempre cresceram acima de dois dígitos desde o início dos anos 2000, quando a Lei dos Genéricos entrou em vigor, afirmam que avançaram “apenas” 8% no acumulado dos 12 meses, até fevereiro.
“As incertezas sobre a crise política e econômica não nos permite fazer uma projeção para o ano. A nosso favor, conta o fato de os medicamentos genéricos serem mais baratos que os de referência (com patente). Com a crise, os consumidores estão substituindo produtos de referência pelos sem marca”, diz Telma Salles, presidente da Pró Genéricos.
Em unidades, a fatia dos genéricos respondeu por 29,2% do total dos medicamentos vendidos no País, nos 12 meses encerrados em fevereiro.
Estratégia. A Neo Química tem sido uma das mais agressivas nesse mercado. A empresa já colocou no mercado o Torsilax, versão similar – também conhecida como “genérico de marca” – do anti-inflamatório Tandrilax, um dos carros¬chefes do laboratório nacional Aché. A estimativa é de que a versão genérica do Tandrilax movimente, sozinha, quase R$ 80 milhões dos R$ 615 milhões de faturamento estimados para a lista dos 35 medicamentos.
O laboratório da Hypermarcas informou que planeja lançar em 2016 ao menos três produtos dentre os que tiveram queda de patente recentemente: tadalafila, celecoxibe e cloridrato de olopatadina. Todos devem chegar às farmácias no segundo semestre. Líder no segmento de genéricos, a EMS, de Hortolândia (SP), informou que já tem a aprovação da Anvisa para produzir até dez medicamentos, que serão lançados nos próximos três meses.
Entre eles, está a versão genérica do antidepressivo Donaren, que movimentou cerca de R$ 50 milhões e é o segundo mais vendido nos segmento, atrás do Tandrilax, na lista dos liberados pela Anvisa em 2015.
Outra aposta da EMS é a versão genérica do Ezetimiba+Sinvastatina, que combate o colesterol e deve ser a responsável por uma das maiores receitas dessas novas safras, com um mercado de R$ 150 milhões.
Carlos Aguiar, diretor de negócios da Medley, informou que ao longo de 2015 a empresa lançou dois genéricos: a tadalafila (versão do Cialis), para disfunção erétil, e o antidepressivo escitalopram (Lexapro). Para este ano estão previstos quatro lançamentos – dois deles já feitos no primeiro trimestre.
Mônica Scaramuzzo - O Estado de S. Paulo - 06/04/2016
Pfizer e Allergan buscarão novos alvos, com fusão de US$ 150 bi cancelada pelo Governo Americano
A Pfizer ainda precisa encontrar aquisições para aumentar sua receita e novas fontes de crescimento, segundo uma pessoa a par do assunto. Mas a empresa desistiu de fazer outra transação que represente uma inversão fiscal, dada a clara oposição do Departamento do Tesouro americano, de acordo com a pessoa.
O diretor-presidente da Allergan, Brent Saunders, deu indicações semelhantes, dizendo que a empresa poderia fazer seu próprio negócio a qualquer momento para fortalecer seu portfólio de produtos."Poderíamos agir imediatamente se encontrarmos a oportunidade certa com o perfil de crescimento certo e a lógica estratégica certa", disse ele em entrevista ao The Wall Street Journal.
As duas farmacêuticas buscam agir rapidamente para superar a dissolução do acordo, cancelado após o governo americano ter tomado medidas contra a fusão, a qual teria transferido a jurisdição fiscal da Pfizer dos Estados Unidos para a Irlanda, onde a farmacêutica americana pagaria menos impostos.
O The Wall Street Journal noticiou, na noite de terça-feira, que o conselho da Pfizer tinha decidido cancelar o acordo numa votação. Em seguida, a Pfizer notificou a Allergan, que é sediada em Dublin.
A decisão de arquivar os planos de fusão é o revés mais recente nos esforços da Pfizer para superar o que seu diretor-presidente, Ian Read, definiu como uma desvantagem competitiva em relação a rivais estrangeiros que pagam impostos significativamente mais baixos.
A Pfizer, que tem sede em Nova York, vai pagar à Allergan US$ 150 milhões pelo cancelamento. A multa é relativamente pequena dado o valor de mercado da Pfizer, de cerca de US$ 200 bilhões.
O fracasso do acordo também atrapalha os planos da Pfizer de se dividir em várias empresas, algo que os executivos da farmacêutica vinham há anos cogitando. Eles temiam, porém, que as novas empresas não tivessem o porte suficiente para sobreviver de forma independente. O acordo com a Allergan era visto como uma forma de fortalecer a Pfizer tanto no segmento de remédios mais caros com alto potencial de crescimento quanto no de drogas mais antigas e de baixo custo.
Ontem, a Pfizer informou que vai decidir sobre uma potencial cisão no fim de 2016. Ela também observou que tem "poder financeiro e flexibilidade para ir adiante com o desenvolvimento de negócios atraentes" e medidas favoráveis aos acionistas.
A Allergan declarou que a revogação do acordo com a Pfizer era decepcionante, mas que seus negócios continuam fortes. A farmacêutica irlandesa acrescentou que faria uma atualização dos seus planos para agilizar suas operações quando anunciar seus resultados do primeiro trimestre, em 10 de maio, após a conclusão do acordo para vender sua unidade de remédios genéricos para o grupo israelense Teva Pharmaceutical Industries Ltd, um negócio avaliado em US$ 40,5 bilhões.
O frustrado acordo com a Allergan é o segundo fracasso da Pfizer em suas tentativas de adquirir uma empresa estrangeira. Em 2014, ela tentou, sem sucesso, comprar a britânica AstraZeneca PLC. Depois, continuou buscando um novo alvo até que chegou ao acordo com a Allergan.
Ao unir-se à Allergan e transferir sua jurisdição fiscal para a Irlanda, a Pfizer não só teria reduzido seus impostos, mas também ganhado acesso a bilhões de dólares em receitas que mantém fora dos EUA para evitar pagar impostos adicionais no país. A fusão também ofereceria outros benefícios para a Pfizer, além dos fiscais, incluindo o acesso à carteira de produtos de forte crescimento da Allergan, como o tratamento antirrugas Botox, o remédio para olhos secos Restasis e a nova droga para a síndrome do intestino irritável Linzess. A combinação também teria aberto caminho para a Pfizer se desfazer de seu portfólio de drogas mais antigas de baixo crescimento.
Os acordos de inversão fiscal se tornaram comuns entre as empresas americanas. Eles também viraram tema frequente de debate na campanha presidencial dos EUA, em que alguns pré-candidatos atacaram a transferência da sede de empresas americanas e a perda de receitas fiscais que isso implica. O acordo entre a Pfizer e a Allergan, a maior fusão anunciada no ano passado, foi particularmente criticado pelos candidatos.
Na terça-feira, o presidente Barack Obama chamou as inversões fiscais, nas quais uma empresa americana adquire uma rival estrangeira e adota sua jurisdição fiscal com impostos mais baixos, uma das brechas mais insidiosas da legislação.
Washington não tinha conseguido fazer muito para evitar esse tipo de transação, mas isso claramente mudou com a divulgação, na segunda-feira, da terceira parte de uma proposta de alterações nas regras cujo rigor surpreendeu o mercado.
Com enfoque especial no que o Departamento do Tesouro chama de "inversões em série", os novos regulamentos passariam a desconsiderar o valor de aquisições feitas nos últimos três anos na definição do tamanho da empresa sob o código tributário.
Isso complicou a aritmética afinada necessária para que inversões como as da Pfizer com a Allergan funcionem. Para que haja o máximo de benefícios, os acionistas da empresa mudando de sede fiscal, nesse caso a Pfizer, precisariam deter entre 50% e 60% da empresa resultante da fusão. Dessa forma, as empresas americanas precisam de sócios para inversões fiscais que tenham, idealmente, perto de dois terços do seu tamanho.
Quando a Pfizer fechou o acordo com a Allergan no ano passado, seu valor de mercado era de cerca de US$ 200 bilhões, ante os US$ 120 bilhões da Allergan. Segundo a proporção de troca de ações, os acionistas da Pfizer teriam 56% da firma combinada.
Excluindo o valor das aquisições da Allergan nos últimos três anos, a conta não fecha mais. Ao descontar o valor das firmas adquiridas pela empresa irlandesa (Forest Laboratories e Actavis), o valor líquido da Allergan, para o Tesouro cairia para US$ 30 bilhões. Com isso, os acionistas da Allergan teriam menos que 20% da empresa combinada, fatia pequena demais para que a jurisdição fiscal pudesse ser transferida para a Irlanda.
A Casa Branca nega que as novas regras tivessem como alvo uma empresa específica.
Valor Econômico - Jonathan D. Rockoff, Liz Hoffman e Richard Rubin, do The Wall Street Journal - 07/04/2016
Servier vê Brasil entre seus cinco maiores mercados
Em visita ao país, para comemorar os 40 anos do laboratório no Brasil, o presidente mundial da companhia, Olivier Laureau, anunciou que a Servier vai dobrar o número de medicamentos comercializados no país e que espera atingir um faturamento de R$ 2 bilhões no mercado brasileiro em dez anos.
Em entrevista exclusiva ao Valor, Laureau conta que a crise econômica não é um obstáculo para o crescimento das vendas, devido ao perfil populacional do país. "O Brasil é um país estratégico, porque tem uma população que cresce e que está envelhecendo. Além disso, trata-se de uma população que tem cada vez mais acesso aos serviços de saúde", disse.
O Brasil é, hoje, o décimo maior mercado do grupo em termos de faturamento na área dos produtos inovadores, que responde por 75% das receitas da empresa. Os outros 25% vêm da comercialização de genéricos.
Em 2015, a Servier faturou R$ 262 milhões no país, mas tem planos de aumentar esse número para R$ 305 milhões já este ano e atingir os R$ 810 milhões em 2021. O laboratório francês possui um modelo de negócios peculiar no setor.
Durante a década de 1980, quando se discutia a sucessão do fundador Jacques Servier, o grupo foi instituído como uma fundação privada, sem fins lucrativos, que tem como diretriz investir 100% de todo seu lucro em pesquisa e desenvolvimento.
A companhia fatura cerca de € 4 bilhões por ano e investe mais de 25% desse montante em inovação, sem que haja qualquer distribuição de dividendos.
A área de oncologia é um dos grandes focos da companhia e concentra mais de 50% do orçamento de pesquisa do grupo, que tem como meta descobrir um novo produto inovador a cada três anos.
No Brasil, a companhia acaba de fechar um acordo de cooperação tecnológica com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para estudos conjuntos de seis mil extratos de plantas da biodiversidade brasileira que fazem parte do acervo da Fiocruz, para busca de medicamentos de combate ao câncer. O acordo prevê transferência tecnológica. Em caso de sucesso nas pesquisas, a Fiocruz terá prioridade no uso do medicamento na rede pública de saúde, enquanto a Servier ficaria concentrada na venda na rede particular.
A Servier fechou também um acordo de transferência tecnólogica para produção do remédio Vastarel, para tratamento de isquemia cardíaca, também na Fiocruz. E anunciou um prêmio para apoiar pesquisas na área da neurociência, dedicada a estudos sobre as complicações neurológicas decorrentes do vírus da Zika. Serão oferecidos € 150 mil (R$ 600 mil) em três anos em premiações.
Ainda no Brasil, o grupo espera lançar nos próximos cinco anos mais 15 produtos, para as áreas de diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca e oncologia. Entre os lançamentos estão inovações, como "polipílulas" (pílulas que concentram vários componentes um só comprimido), para tratar, ao mesmo tempo, a hipertensão e o colesterol. "Com isso reduzimos a quantidade de medicamentos que o paciente precisa ingerir e isso aumenta a adesão ao tratamento", explica o executivo.
A companhia também prevê lançar no país um tratamento subcutâneo para diabetes. Trata-se de uma bomba osmótica, que é introduzida a partir de um pequeno procedimento cirúrgico no paciente e que substitui as injeções diárias de insulina.
Segundo Laureau, os novos produtos serão majoritariamente produzidos no Brasil, mas medicamentos que envolvam alta tecnologia, como o tratamento subcutâneo de diabetes, serão produzidos fora. A fábrica da Servier, no bairro de Jacarepaguá, no Rio, tem capacidade para produzir 500 milhões de comprimidos por ano, mas o executivo já antecipou que avalia investir na expansão da unidade.
"Hoje estamos avaliando diferentes opções, já que podemos investir na otimização da fábrica, mas a curto e médio prazo precisamos levantar a questão da ampliação. A gente sabe que deve fazer alguma alteração nessa capacidade, só não sabe como ainda", afirmou.
André Ramalho - Valor Econômico - 08/04/2016
Orygen Biotecnologia, associação da Eurofarma e Biolab, amplia portfólio e entra no mercado de vacina
A Orygen Biotecnologia, farmacêutica pré-operacional formada por Eurofarma e Biolab, vai entrar no mercado brasileiro de vacinas, a partir de um acordo de comercialização da primeira vacina recombinante contra o vírus da gripe aprovada pelo FDA (do inglês Food and Drug Administration), assinado na semana passada com a americana Protein Sciences Corporation.
O contrato amplia o portfólio da biofarmacêutica nacional para além dos anticorpos monoclonais, usados principalmente no tratamento de câncer e doenças autoimunes, e prevê a transferência de tecnologia para produção do imunizante na fábrica que será construída em São Carlos (SP).
Com investimento total estimado em R$ 500 milhões, o projeto da Orygen deve se tornar operacional ainda neste ano. O início das obras no interior paulista, porém, ainda depende de uma confirmação do governo federal sobre as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) que foram aprovadas e seguirão adiante. Por meio desse mecanismo, laboratórios públicos e privados se associam para produzir medicamentos considerados estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS), caso dos anticorpos monoclonais.
O acordo com a Protein Sciences corresponde à segunda parceria de peso firmada pela Orygen, que foi constituída em 2012 originalmente por quatro laboratórios - Cristália e Libbs deixaram a associação para tocar projetos independentes de produção de medicamentos biossimilares -, com apoio do governo federal.
Em 2014, a biofarmacêutica firmou um acordo com a Pfizer para transferência de tecnologia de cinco anticorpos monoclonais, a partir dos quais são produzidos biossimilares. Neste momento, de acordo com o diretor-científico da Orygen, Andrew Simpson, as parceiras estão finalizando "planos detalhados" para início de produção dos biossimilares. "Ao diversificar o portfólio, com as vacinas, estamos consolidando o investimento, porque a empresa deixa de depender de um só produto e só um mercado", explica.
Conforme Simpson, tão logo a nova vacina, que difere dos demais imunizantes contra a gripe disponíveis no mercado por não ser produzida a partir de vírus inativo ou atenuado, receba o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), haverá início da distribuição a clínicas particulares de imunização. Já os anticorpos monoclonais serão fornecidos ao SUS. "Nas duas parcerias, temos produtos essencialmente prontos. Como complemento, também vamos buscar o desenvolvimento de novos produtos e estamos olhando tanto para anticorpos quanto para vacinas", afirma.
O mais recente acordo firmado pela Orygen prevê a comercialização exclusiva da FluBlok, uma vacina recombinante produzida a partir de células geneticamente modificadas e que protege também contra o vírus H1N1. O uso dessa tecnologia, conforme Simpson, deu origem a uma nova geração de vacinas contra a gripe, com maior eficácia, potência e possibilidade de produção em larga escala.
A nova vacina, o único produto desenvolvido pela Protein Sciences, já é comercializada nos Estados Unidos e acaba de ser registrada no México. A Orygen está trabalhando neste momento no dossiê que será submetido à Anvisa com vistas à autorização para importação dos primeiros lotes. Conforme Simpson, é provável que o aval da agência seja dado no ano que vem, considerando-se os prazos tradicionais. A transferência de tecnologia deve ter início já no primeiro semestre de 2017 e a produção local poderia começar em dois anos.
Stella Fontes - Valor Econômico - 13/04/2016
As 10 maiores farmacêuticas do Brasil em vendas até setembro de 2015

São Paulo - De janeiro a setembro, o setor farmacêutico movimentou 55,89 bilhões de reais no Brasil – um crescimento de 15,01% ante os mesmos meses de 2014.
Os dados são de um levantamento da consultoria IMS Health, feito a pedido da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos).
No período, foram comercializadas 2,53 bilhões de caixas de medicamentos país – um aumento de 7,99% ante os 9 primeiros meses do ano passado. Só no terceiro trimestre, 872,6 milhões de caixas de remédio foram vendidas, contra 821,2 milhões registradas no mesmo período de 2014.
Conheça as empresas do setor que mais venderam até setembro de 2015, em faturamento.
1. EMS
Vendas até setembro de 2015 R$ 6,75 bilhões
Vendas até setembro de 2014 R$ 5,87 bilhões
Variação 15,01%
Fatia do mercado em 2015 12,08%
2. Hypermarcas
Vendas até setembro de 2015 R$ 5,72 bilhões
Vendas até setembro de 2014 R$ 4,60 bilhões
Variação 24,45%
Fatia do mercado em 2015 10,25%
3. Sanofi
Vendas até setembro de 2015 R$ 4,47 bilhões
Vendas até setembro de 2014 R$ 3,93 bilhões
Variação 13,59%
Fatia do mercado em 2015 8%
4. Novartis
Vendas até setembro de 2015 R$ 3,33 bilhões
Vendas até setembro de 2014 R$ 3,10 bilhões
Variação 7,39%
Fatia do mercado em 2015 5,96%
5. Aché
Vendas até setembro de 2015 R$ 3,18 bilhões
Vendas até setembro de 2014 R$ 2,59 bilhões
Variação 22,36%
Fatia do mercado em 2015 5,69%
6. Eurofarma
Vendas até setembro de 2015 R$ 2,78 bilhões
Vendas até setembro de 2014 R$ 2,28 bilhões
Variação 21,90%
Fatia do mercado em 2015 4,99%
7. Takeda Pharma
Vendas até setembro de 2015 R$ 1,56 bilhão
Vendas até setembro de 2014 R$ 1,52 bilhão
Variação 2,49%
Fatia do mercado em 2015 2,80%
8. Bayer
Vendas até setembro de 2015 R$ 1,48 bilhão
Vendas até setembro de 2014 R$ 1,33 bilhão
Variação 10,87%
Fatia do mercado em 2015 2,66%
9. Teuto Brasileiro
Vendas até setembro de 2015 R$ 1,35 bilhão
Vendas até setembro de 2014 R$ 1,28 bilhão
Variação 5,03%
Fatia do mercado em 2015 2,42%
10. GSK
Vendas até setembro de 2015 R$ 1,30 bilhão
Vendas até setembro de 2014 R$ 1,14 bilhão
Variação 14,04%
Fatia do mercado em 2015 2,34%
Luísa Melo / Exame
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