MSD decide fechar fábrica de vacinas contra aftosa no país

A MSD Saúde Animal, braço veterinário da farmacêutica americana Merck, confirmou ontem que vai fechar a fábrica de vacinas contra a febre aftosa localizada em Fortaleza (CE), conforme antecipou o Valor. A companhia permanecerá no mercado, mas a produção das vacinas será terceirizada para a brasileira Vallée.

De acordo com a MSD, a fábrica de Fortaleza encerrará todas as atividades até março deste ano. A produção efetiva, no entanto, está paralisada desde junho do ano passado por determinação do Ministério da Agricultura. Desde então, a empresa trabalha apenas com os estoques de vacina produzidos antes da paralisação.

A multinacional americana foi obrigada a suspender as atividades da fábrica cearense para se adequar às novas regras de biossegurança adotadas pelo Ministério da Agricultura em março de 2012. A unidade da empresa tinha problemas na chamada "área biocontida", responsável pelo processo de inativação do vírus - o antígeno do vírus é "morto" mas mantém a capacidade imunológica.

Após submeter o problema à direção global da companhia, a MSD decidiu não fazer as adequações. O Valor apurou que a empresa considerou muito alto os investimentos necessários para retomar a produção da fábrica. Por conta disso, a produção terceirizada se tornou a opção mais viável para a empresa. Até a paralisação, a empresa detinha a maior fábrica do gênero no país, com capacidade para produzir 140 milhões de doses por ano.

A estrutura do parque produtivo brasileiro também pesou na decisão da MSD. Com excesso de oferta de vacinas contra aftosa, algumas empresas chegaram a registrar quedas no faturamento com as vendas do produto em 2011. Essas vacinas representam cerca de um quinto do faturamento do setor de saúde animal no Brasil. A MSD fatura cerca de R$ 500 milhões por ano.

Ontem, a multinacional americana também anunciou seu novo presidente no Brasil, o veterinário Edival Santos. O executivo substitui Vilson Simon, que foi para o cargo de liderança global de operações comerciais da MSD.

No comando da companhia no país, Santos terá o desafio de estruturar essa nova estratégia da companhia para a aftosa. O fim das atividades da empresa em Fortaleza também reduz o "tamanho" da MSD no Brasil. Agora, a companhia possui apenas uma fábrica de parasiticidas em Cruzeiro (SP), município localizado no Vale do Paraíba.
 
Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Valor Econômico

O homem de 16 bilhões de pílulas

Como Luiz Donaduzzi, sócio de um laboratório paranaense, pretende passar a produzir mais da metade dos comprimidos e doses de medicamentos genéricos do mercado brasileiro.

A cerca de 150 quilômetros das Cataratas do Iguaçu, uma fábrica no município de Toledo, na região oeste do Paraná, produz anualmente dez bilhões de pílulas, comprimidos e doses líquidas de medicamentos genéricos. É um número que chama bastante a atenção, em especial por representar mais de um terço da produção nacional. O responsável por esse desempenho é o laboratório Prati-Donaduzzi, dono de um faturamento de R$ 500 milhões em 2012. Fundado há duas décadas pelo farmacêutico gaúcho Luiz Donaduzzi com a sua esposa, Carmen, o irmão Arno Donaduzzi e o genro Celso Prati, o laboratório prepara-se para um novo salto. Está investindo R$ 100 milhões em uma nova unidade industrial em Toledo, com previsão de inauguração em outubro de 2014.

Com ela, sua produção alcançará 16 bilhões de medicamentos, um crescimento de 50%. Apesar desse tamanho e do gigantismo dos números, a Prati-Donaduzzi é praticamente desconhecida no mercado nacional. Até recentemente, sempre operou fora do radar dos consumidores finais e das grandes redes de farmácias. Seu foco são os remédios de baixos preços vendidos para hospitais, por meio de licitações governamentais. Entre os seus maiores sucessos de vendas estão genéricos de omeprazol, voltado a disfunções gastrointestinais, e do analgésico paracetamol. "Vamos investir agora em remédios de maior valor agregado", afirma Luiz Donaduzzi, presidente da Prati. O objetivo dessa estratégia é atingir novos mercados, sem perder, no entanto, o espaço conquistado nos hospitais.

Lentamente, a empresa já vem diminuindo a dependência do segmento. Em 2010, cerca de 90% da sua receita vinha das vendas hospitalares. No ano passado, já caíra para 60%, graças ao aumento do portfólio de produtos. Atualmente, a Prati vende 107 genéricos, mas já possui outros 50 medicamentos aguardando aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Para 2014, a meta é desenvolver 70 novos remédios. Está em seus planos produzir de forma terceirizada para grandes farmacêuticas multinacionais. Nessa nova leva de produtos, estão previstas áreas nunca antes exploradas pela empresa, como as de medicamentos para tratamento oncológico e remédios de marca própria com prescrição médica.

"Vamos aumentar em 25% nosso investimento em pesquisa e desenvolvimento", afirma Donaduzzi. "O mesmo percentual será aplicado em marketing." Uma das primeiras iniciativas nessa área é o patrocínio a uma equipe de stock car, caminho também seguido pelas fabricantes de genéricos rivais Eurofarma e Medley. A Prati também pretende, com o lançamento de novos medicamentos, ampliar o peso do varejo nos seus negócios, cuja atuação atualmente é focada em redes menores e regionais. "As grandes redes de farmácias vêm nos procurar, mas ainda não temos capacidade para atendê-las", diz Eder Maffissoni, vice-presidente da farmacêutica. Para levar à frente seu projeto de expansão, a saída foi buscar em São Paulo funcionários de grandes empresas, incluindo de rivais.

Dos atuais oito diretores, cinco foram contratados em 2012. Outros sete gerentes de primeiro nível também foram recrutados fora. "Avisei o Carlos Sanchez (dono da EMS) de que estava sendo sondado pela Prati e iria visitá-los, mais para conhecê-los do que por interesse em mudar de emprego", diz Marco Aurélio Miguel, ex-diretor de marketing da EMS, que assumiu o mesmo cargo na Prati. "Quando cheguei em Toledo, fiquei impressionado com o projeto e com o tamanho da fábrica." Fontes do mercado afirmam que um dos motivos para os planos de reformulação da Prati está no interesse de vender parte de seu controle. O que é negado por Donaduzzi. "Somos apaixonados pelo trabalho e não faz sentido começar em outra atividade agora", diz o fundador.

"Há um assédio muito grande das estrangeiras, até porque há poucas empresas de genéricos brasileiras viáveis." Além da Medley, comprada pela francesa Sanofi-Aventis, a Teuto já vendeu uma fatia de 40% para a americana Pfizer e a Multilab foi incorporada à japonesa Takeda. A EMS, líder do mercado, não tem parceiros internacionais, nem planos de se associar a eles. Independen­temente disso, Donaduzzi já prepara a sucessão no comando da empresa. O acordo entre os acionistas limita a presença de familiares na administração. "Em quatro anos, devo sair da presidência e ficar só no conselho de administração", diz Donaduzzi. "Vou preparar um sucessor, que provavelmente será o Eder Maffissoni." Algo que a empresa não deve mudar é o caráter particular do seu modelo de atuação.

A empresa não leva em conta os livros de administração que preconizam o foco estrito no negócio principal e a terceirização das atividades não centrais. A Prati prefere fazer tudo por conta própria, da operação logística à fabricação de embalagens. Até mesmo a obra da nova fábrica está sendo tocada pelo sócio Arno, que tem experiência em engenharia. O laboratório possuiu também uma estrutura própria de distribuição que rivaliza em tamanho com as maiores empresas do setor, no País, como a Panarello e Santa Cruz. A Prati leva por conta própria seus medicamentos a 40 mil estabelecimentos, o que representa 75% de suas vendas. "Não olhamos para os concorrentes para imitar estratégias, mas para saber o que fazer de outro jeito", afirma Maffissoni.

Carlos Eduardo VALIM
Isto é Dinheiro

Bionovis está prestes a definir fábrica

A Bionovis, joint venture formada entre os laboratórios Aché, União Química, Hypermarcas e EMS, deverá definir nas próximas semanas a localização de sua fábrica de medicamentos biossimilares. A Bionovis e a Orygen são consideradas as superfarmacêuticas nacionais, com apoio do governo federal, para produzir biossimilares no país.
 
Os Estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo estão cotados para sediar a fábrica da Bionovis. O Valor apurou que o Rio de Janeiro apresentou a melhor proposta. A expectativa era de que a decisão fosse tomada esta semana durante reunião entre os acionistas da nova companhia. Mas não foi desta vez que o martelo foi batido.
 
A Bionovis, presidida por Odnir Finotti, foi criada no primeiro semestre deste ano. Os investimentos iniciais também serão em torno de R$ 500 milhões. Assim como a Orygen, a nova companhia poderá obter financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e também produzirá os mesmos medicamentos.
 
A meta do governo é reduzir o déficit da balança comercial da Saúde, que encerrou 2011 em quase US$ 11 bilhões. O governo também está estimulando investimentos de multinacionais no país para produzir equipamentos de diagnóstico.
 
Originalmente, a ideia era criar uma única superfarmacêutica nacional, mas por questões de afinidades os grupos se dividiram. O laboratório pernambucano Hebron também foi convidada a participar desse grupo, mas recusou o convite por não poder fazer os aportes mínimos para formar a joint venture, apurou o Valor.
 
Valor Econômico

Em crise lá fora, bebidas energéticas colhem bons resultados no Brasil

Quem vê as dificuldades que o mercado de bebidas energéticas enfrenta em alguns importantes centros consumidores do mundo, como os Estados Unidos, que tenta mudar as regras sobre a produção desse tipo de produto, pode imaginar que essa indústria está condenada a um futuro incerto.
 
Ao ver o quadro no Brasil, onde o nicho cresce acima de todos os segmentos do setor de bebidas, porém, é possível concluir que há esperanças para o setor. “Muitas empresas multinacionais do setor estão de olho no mercado brasileiro”, diz Adalberto Viviani, consultor sobre o mercado de bebidas da Concept.
 
Não é a toa que ocorre esse interesse. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas (Abir) apontam que as vendas de energéticos no Brasil tiveram um crescimento de 152% entre 2008 e 2011. “O desempenho do segmento de energéticos se deve à aceitação do consumidor brasileiro, que está incorporando cada vez mais o produto em sua cesta de compras. Nos últimos anos, mais pessoas tiveram a oportunidade de conhecer o produto e aprovaram”, afirma Douglas Costa, diretor de mercado do Grupo Petrópolis, detentor da marca TNT.
 
O lançamento de versões maiores, em garrafas PET de até 2 litros, contribuiu para a chegada de um perfil de consumidor que até então não estava habituado ao produto. “Esse posicionamento mais popular é diferente do que costumamos ver em outros países”, afirma Viviani. “Mas é preciso que as empresas tenham cuidado, porque entrar em uma guerra de preços pode representar um risco à categoria como um todo.”
 
Segundo o consultor, se o marketing for bem trabalhado, o nicho ainda tem potencial de crescimento em todas as classes de consumidores. “O consumo per capita ainda é muito baixo.” Dados da Abir indicam que o consumo brasileiro de energéticos é de 0,45 litros por ano por habitante. No Nordeste, o consumo anual de cada pessoa é ainda menor, de 0,27 litros.
 
As boas perspectivas se refletem na cara do mercado, hoje disputado por competidores de porte, como Coca-Cola, dona da marca Burn, e a Ambev, que lançou no Brasil o energético Fusion. A Red Bull, maior fabricante deste tipo de produto no mundo, anunciou recentemente planos de construir uma fábrica no Brasil. O projeto, que recebeu incentivo da Zona Franca de Manaus, deve ser a primeira unidade fabril da empresa fora da Europa. “O grande desafio para quem chega ao Brasil é a capacidade de distribuição. Não adianta ter uma marca muito forte no exterior se não tiver capilaridade por aqui”, diz Viviani.
 
Álcool e esportes
 
Outro desafio a ser enfrentados pelas companhias do setor é diminuir a relação entre o consumo de produtos e as bebidas alcoólicas, muito forte no país. “Ao ser vendido como um produto para mistura, diminui o potencial de valor agregado”, afirma o consultor.
 
Para evitar essa relação, muitas marcas investem pesado na ligação de seus nomes ao esporte. O caso mais clássico é o da Red Bull, pioneira no setor, que mantém times próprios em diversas modalidades e o patrocínio a uma série de campeonatos esportivos. Outra que investe nesse tipo de estratégia é a TNT. Apesar de ter atuação focada no Brasil, a marca do Grupo Petrópolis investe no patrocínio à equipe Ferrari, de Fórmula 1.
 
A empresa também patrocina atletas, como os pilotos Felipe Massa e Fernando Alonso — ambos da Ferrari — e o lutador de MMA Júnior Cigano. “São ações que ajudam a construir a imagem do produto e aproxima os consumidores à marca”, afirma Costa, da Petrópolis. “Nosso objetivo é promover o produto como uma alternativa saudável para superar limites.
Brasil Econômico- Gabriel Ferreira

O laboratório é nosso

O Palácio do Planalto está muito preocupado com o desfecho das negociações para a venda do tradicional Laboratório Aché, um dos maiores do País e de capital 100% nacional.
 
O governo não quer nem conversa sobre a transferência do Aché para um grupo estrangeiro. As três famílias donas do laboratório, agora na segunda geração, não se entendem mais.
 
Dois sócios defendem a venda para um laboratório internacional, e o outro gostaria de manter o controle no Brasil. O governo examina com lupa o que pode ser o primeiro grande negócio do ano no País.

Guilherme Barros c/ Flávia Gianini e Luiz G.Pacete
Isto é Dinheiro

IP e Jari consumam associação em embalagem

 
A americana International Paper (IP), maior fabricante mundial de papéis de imprimir e escrever, e a brasileira Jari Celulose, Embalagens e Papel, do grupo Orsa, concluíram a constituição da Orsa International Paper Embalagens, nova fabricante de papelão ondulado com atuação no país.
 
A operação, anunciada originalmente em outubro, soma US$ 470 milhões, referentes ao investimento da IP. Em contrapartida, a Jari aportou ativos industriais na joint venture.

Com a conclusão do negócio, que foi aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no fim do ano passado, três fábricas de papel para embalagens e quatro unidades de produção de embalagens de papelão ondulado que pertenciam à Jari passam para a nova empresa, na qual a multinacional tem participação de 75%. Os ativos florestais da Jari, bem como a fábrica de celulose no Pará - cujas atividades foram suspensas -, não estão envolvidos na transação.

Para a IP, a parceria com a Jari marca sua entrada no mercado nacional de embalagens, negócio que representa importante fonte de receitas para a companhia em outros países. Com os ativos da Jari, a companhia americana assume o posto de terceira maior fornecedora local de embalagens de papelão, com capacidade produtiva de 365 mil toneladas ao ano, ou o equivalente a cerca de 9% do mercado nacional.

A presidência-executiva da Orsa International Paper Embalagens será ocupada por Marc Van Lieshout, que tinha o cargo de diretor financeiro da IP na América Latina. "Passaremos por um processo de transição mantendo o mais alto padrão de qualidade e o atendimento ao cliente", afirma o executivo em comunicado.

Em nota, o presidente do conselho de administração da IP, John Faraci, diz que o investimento está alinhado à estratégia global para o negócio de embalagens. "A International Paper está no Brasil há mais de 50 anos e estamos animados com essa parceria, que representa uma plataforma para entrada no segmento de embalagens de papelão ondulado em uma região estratégica".

No ano passado, segundo dados preliminares da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), as vendas domésticas de papelão, importante termômetro da atividade econômica do país, totalizaram 3,3 milhões de toneladas, com alta de 2,77% frente ao volume de 2011, e marcaram um novo recorde para a indústria.
 
Por Stella Fontes | De São Paulo
Valor Econômico

Laboratório Libbs deixa projeto que criou a Orygen

A farmacêutica nacional Libbs decidiu sair da Orygen Biotecnologia, superfarmacêutica criada com o apoio do governo federal para produzir medicamentos biológicos e biossimilares. A decisão foi tomada no fim do ano passado. Os outros laboratórios - Eurofarma, Cristália e Biolab - vão manter a sociedade e levar o projeto adiante, segundo fontes ouvidas pelo Valor.

A empresa foi criada no ano passado para produzir, inicialmente, sete medicamentos considerados estratégicos para o governo nas áreas de oncologia e artrite reumatoide. O pacote de remédios biológicos importados custa cerca de US$ 3,5 bilhões por ano aos cofres públicos

O Valor apurou que houve incompatibilidade de gestão entre a Libbs e os demais sócios. Das quatro farmacêuticas, a Libbs, cujo faturamento gira em torno de R$ 600 milhões, é mais avessa a parcerias. A decisão de sair da joint venture partiu da própria Libbs e não houve desentendimento entre as partes, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto.

A Orygen pretende investir aproximadamente R$ 500 milhões para construir uma fábrica e iniciar a produção de medicamentos. A unidade será instalada na região de Campinas (SP). A expectativa é que os primeiros biossimilares produzidos cheguem ao mercado em três anos.

As empresas já tinham feito um pequeno aporte para começar o negócio, mas esses valores serão reembolsados e os três sócios farão um rearranjo societário. Procurada, a recém-criada superfarmacêutica confirmou a informação. "A Orygen Biotecnologia e a Libbs Farmacêutica informam a saída do laboratório da joint venture formada por Biolab, Cristália e Eurofarma. As empresas acionistas passam a deter 33,33% de participação cada. A decisão foi tomada de comum acordo entre as partes."

A nova empresa vai manter o projeto original de desenvolver os medicamentos complexos e não deverá procurar um novo sócio, de acordo com as mesmas fontes, que também negam que esse projeto poderá ser desfeito.

Desde outubro do ano passado, o bioquímico inglês Andrew Simpson está à frente da nova companhia. Simpson, com sólida carreira acadêmica, deixou o renomado Instituto Ludwig de Pesquisa de Câncer, nos Estados Unidos, para coordenar a superfarmacêutica nacional.

Além da Orygen, o governo federal também deu apoio para a Bionovis, joint venture formada entre os laboratórios Aché, União Química, Hypermarcas e EMS. Essa empresa, presidida por Odnir Finotti, ex-presidente da ProGenéricos, associação que reúne os laboratórios de medicamentos genéricos, foi criada no primeiro semestre do ano passado. A companhia ainda estuda onde irá erguer sua fábrica. Os Estados de Santa Catarina e Rio de Janeiro estão no páreo.
 
Por Mônica Scaramuzzo | De São Paulo
Valor Econômico

Bionovis assina contrato de patente de medicamentos

Empresa passa a adquirir a tecnologia para produção de drogas destinadas ao tratamento de linfoma não-Hodgkin, artrite e psoríase. Além destes dois produtos, existem mais cinco que a companhia planeja fazer no Brasil
Com investimento de R$500 milhões, a superfarmacêutica Bionovis vai assinar nos próximos dias dois contratos de transferência de tecnologia de medicamentos. Em uma parceria realizada com especialistas biossimilares, o objetivo é possuir a patente para a produção destes medicamentos no Brasil. As informações são do jornal Valor Econômico.
De acordo com a empresa, um dos medicamentos é o Etanercepte (produto da Enbrel), cuja patente venceu esse ano. Destinado para o tratamento da artrite e psoríase, ele possui maior custo individual para o governo, com investimento de R$30 mil por ano, para cada paciente.
O segundo é para produzir no país Rituximabe (da Mabthera), utilizado no combate a câncer linfoma não-Hodgkin.
Além destes produtos, existem mais cinco que a empresa planeja produzir no Brasil. Como são cópias de produtos que perderam a patente, são conhecidos como biossilimares.
A publicação mostra que dos R$ 500 milhões, cerca de R$150 milhões serão utilizados na construção da fábrica. A localização do projeto está sendo disputada por três Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, e Santa Catarina.
 O restante será aplicado em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de medicamentos e estudos clínicos.
Na primeira fase, os próprios acionistas vão portas os recursos. O BNDES vai financiar parte do projetos de expansão dessa companhia.
A expectativa de receita líquida para o primeiro ano de operação da Bionovis é de R$ 500 milhões – e poderá atingir R$ 1,5 bilhão quando os sete estiverem prontos. Para montar a “inteligência” de P&D da Bionovis, serão contratadas 50 pessoas.
Valor Economico

Aurora investe R$ 61,5 milhões em reabertura de unidade

A empresa reabrirá uma unidade em Santa Catarina, que estava paralisada desde abril de 2009.
A Aurora Alimentos anunciou nesta segunda-feira (14/1) que investiu R$ 61,5 milhões para reabrir a indústria de Joaçaba, situada no meio-oeste de Santa Catarina.
Com isso, o frigorífico pretende dobrar a capacidade de abate e processamento de suínos destinados à exportação.
A unidade estava paralisada desde abril de 2009, no auge da crise financeira. A empresa pretende retomar o abate em Joaçaba em janeiro de 2014, e deve concentrar a maior parte da produção de suínos para exportação nessa unidade.
"Retomaremos o abate no primeiro dia útil de 2014", anunciou o presidente da empresa, Mário Lanznaster.
As obras iniciaram em dezembro de 2012, e devem terminar em dezembro deste ano. Com a ampliação - que representa mais 15 mil metros quadrados de área construída e compreende os setores administrativos, industriais, de tratamento de efluentes e de apoio - o complexo ficará com área total de 25 mil metros quadrados.
A Aurora estima que a reabertura do frigorífico criará 800 empregos diretos.

Brasil Econômico

Venda de genéricos sobe 30% até novembro

Conforme Telma Salles, presidente da Pró Genéricos, o setor trabalha com a expectativa de aumentar o acesso a medicamentos com políticas públicas

A comercialização de medicamentos genéricos no país atingiu 621,4 milhões de unidades (caixas) no acumulado do ano até novembro, um crescimento de 19% sobre igual período do ano passado, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos). Em receita, as vendas totalizaram R$ 10,2 bilhões, aumento de 29% em relação aos 11 meses de 2011.

De janeiro a novembro, a venda total de medicamentos, incluindo os de referência, similares e genéricos, alcançou 2,371 bilhões de unidades (caixas) no acumulado, alta de 12% sobre igual período do ano passado, de acordo com dados da consultoria IMS Health. O faturamento do setor no período somou R$ 45,5 bilhões, aumento de 12% em relação aos 11 meses de 2011. Os valores até novembro deste ano já superaram as vendas de 2011, que encerraram R$ 42,8 bilhões. Vale lembrar que o IMS audita a receita bruta, sem as taxas de descontos concedidas pelos laboratórios.

As indústrias farmacêuticas foram uma das poucas que passaram longe da crise financeira global desencadeada em 2008, com expansão acima de dois dígitos, mas nos últimos meses começaram a sentir o impacto do desaquecimento da economia, com desaceleração das vendas. Para 2013, o setor está preocupado com a pressão dos custos. "As margens serão apertadas", afirmou ao Valor Telma Salles, presidente da Pró Genéricos.

De acordo com Telma, as taxas de descontos sobre os medicamentos genéricos que ficam, em média, em 50%, deverão ser menores a partir do próximo ano, considerando que os custos do setor, sobretudo com mão de obra, cresceram.

A participação dos medicamentos genéricos em unidades até novembro alcançou 26%. O setor busca superar 50% nos próximos anos, desempenho que já ocorre em países da Europa e nos Estados Unidos. A Pró Genéricos estima chegar a 30% no fim de 2013. "Vamos trabalhar para que o acesso aos medicamentos aumente a partir de políticas públicas", disse Telma.

O baixo crescimento da economia brasileira este ano acendeu um sinal de alerta no setor, que tem suas vendas respaldadas pela renda da população. Em alguns meses deste ano, a comercialização de medicamentos em volume deu sinais de desaquecimento.

Em 2012, as farmacêuticas produtoras de genéricos foram as que mais atraíram operações de fusões e aquisições no país, sobretudo de multinacionais. Os múltiplos pagos por ativos farmacêuticos neste ano superaram em 20 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) - no mercado internacional os preços pagos pelos mesmos ativos giram em torno de sete a oito vezes o Ebtida. Um dos principais negócios do ano foi a aquisição do laboratório nacional Multilab pela multinacional japonesa Takeda, que quer expandir em genéricos em países emergentes.
 
Por Mônica Scaramuzzo   Valor Econômico

Setor farmacêutico espera crescer 14% neste ano

A indústria farmacêutica instalada no Brasil espera fechar o ano com faturamento aproximado de R$ 49 bilhões, segundo o Sindusfarma, sindicato do setor.

O número representa um aumento de 14% na comparação com o ano passado.

Em unidades vendidas, o incremento deve ficar em 10%, com 2,5 bilhões de caixas comercializadas.

"Houve um aumento da base de captação de dados neste ano, mas, em geral, o crescimento deve ser atribuído ao maior acesso da classe média", afirma Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindusfarma.

O impulso veio do avanço na categoria dos medicamentos genéricos, segundo ele.

O segmento, entretanto, cresceu com menor intensidade em 2012, de acordo com a presidente da Pró Genéricos, Telma Salles.

"Até setembro, se compararmos com o ano anterior, houve aumento, mas foi menos expressivo. Após o fechamento do ano, pretendemos entender melhor que fatores impactaram", diz Salles.

A menor rentabilidade identificada pelo setor neste ano se deve à elevação de custos, segundo o sindicato.

"O aumento do preço internacional das matérias primas, a questão cambial e a tributária geraram a pressão sobre os custos", afirma Mussolini.

"Além disso, por causa de uma escassez de mão de obra no setor, a média de aumento salarial da indústria tem sido muito superior ao reajuste de preço dos produtos. Todos esses fatores afetam o investimento em inovação."
 
Folha de S.Paulo  Maria Cristina Frias

Real H planeja crescer 70% com homeopatia para animais

Medicamentos para rebanhos e pets devem render R$ 26 milhões em vendas
 
Há quem diga que as tais gotinhas homeopáticas não passam de efeito placebo. O fato é que essa frente da medicina ganha cada vez mais adeptos em um mercado com potencial de crescimento até com pacientes pouco convencionais.
 
Desde 2009, a Real H, fabricante de ração e suplementos minerais para bovinos viu na homeopatia animal a oportunidade em um nicho que este ano deve render ao seu caixa algo em torno de R$ 26 milhões em receita. O valor é cerca de 24% do faturamento da companhia. O percentual ainda está abaixo do planejado, mas a estratégia é alcançar crescimento de 70% até 2022.
 
“A homeopatia só traz benefícios, porque não deixa resíduos, não debilita o animal e melhora a produtividade”, explica Marcelo Real, médico veterinário e diretor da empresa, fundada em 1985 por seu pai, o médico veterinário Claudio Martins Real, considerado referência quando se trata na homeopatia para animais.
 
Investimentos
 
Para atingir a meta de crescimento, a companhia está investindo R$ 4 milhões na ampliação do seu laboratório de desenvolvimento de produtos, que já é o maior da América Latina, no desenvolvimento desse tipo de produto. Mensalmente são produzidos 4 mil litros dos medicamentos.
 
Além disso, investiu outro R$ 1 milhão no lançamento de produtos neste ano. Ao todo foram 8 lançamentos para pet e 6 novidades para o mercado de grandes animais, mais voltado para rebanhos de bovinos produtores de carne e leite e também no tratamento de equinos.
 
Todos os anos, a empresa investe R$ 1 milhão em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. “Com isso estamos crescendo em média 20% ao ano em rebanhos”, explica Real.
 
Exportações
 
Mas é o mercado pet quem mais vem dando retorno à companhia. Com uma linha composta por 17 medicamentos nas gôndolas das principais redes de petshops do país, a HomeoPet vem crescendo 40% ao ano. A empresa, que já exporta para o mercado paraguaio e colombiano, agora se prepara para novas investidas, especialmente no mercado da Argentina, Uruguai, México, Panamá e África do Sul.
 
Real revela que um grande laboratório instalado no Brasil também já oferece em seu portfólio um dos produtos desenvolvidos no centro de pesquisas da companhia. “Temos outras duas empresas interessadas em distribuir alguns dos nossos rótulos”.
 
Rações
 
Com um portfólio de rações, suplementos minerais e volumosos, a Real H também se mantém no mercado de nutrição animal, onde está há mais tempo.Até o final do ano, a expectativa da companhia é faturar outros R$ 80 milhões com a venda de rações e suplementos minerais.
 
Por mês, na fábrica da empresa em Campo Grande (MS), são produzidas 6 mil toneladas dos produtos, vendidos de forma personalizada, de acordo com as necessidades do cliente. Com isso, a receita em 2012 deverá chegar a R$ 106 milhões.
 
Brasil Econômico- Juliana Ribeiro

Petrópolis parte para briga com PepsiCo e Coca-Cola

 
Dona das cervejas Itaipava e Crystal lança isotônico e almeja 10% das vendas no Brasil
 
Nos últimos dias, a rotina de trabalho de Douglas Costa, diretor de mercado do grupo Petrópolis, tem sido mais puxada do que o habitual. A correria se deve pela divulgação do novo produto do portfólio da companhia no mercado de bebidas não-alcoólicas: o isotônico Ironage.
 
Resultado de seis meses de pesquisas e investimento em desenvolvimento e divulgação iniciais, que deverão somar R$ 7 milhões nesta primeira etapa, a companhia tem um plano ousado de alcançar 10% desse mercado no Brasil, hoje dominado pelas marcas Gatorade, produzida pela Pepsico, e Powerade, da Coca-Cola. “Este é um mercado com ótimas possibilidades e por isso nosso foco é consolidar a marca para depois crescermos”, explica Costa.
 
Como parte da consolidação, a partir de dezembro a linha de isotônicos estará disponível em pontos de vendas menores em São Paulo e Rio de Janeiro, mas deve ganhar as principais redes de varejo em 2013. “Queremos ampliar a entrada desses produtos nos demais mercados onde já atuamos e brigar por espaço nas prateleiras”, incluindo Paraná, Goiás e Bahia, estados em que a empresa está expandindo.
 
Na Bahia, a Petrópolis anunciou recentemente investimentos de R$ 1,2 bilhão na construção de duas plantas para a produção das cervejas Itaipava, Crystal e sua outra marca regional, chamada Lokal. “Já temos 65 distribuidores lá e a ideia é que em breve eles distribuam os isotônicos também”, diz.
 
Nos primeiros meses, a produção mensal do Ironage em quatro sabores, ficará entre 20 mil e 30 mil caixas, cerca de 50 mil litros. Quando a meta de participação no mercado estiver concluída, Costa estima que a produção mensal será de aproximadamente 200 mil litros, algo em torno 2,4 milhões de litros por ano. “Esperamos o mesmo sucesso que temos obtido com as vendas do TNT Energy Drink”, diz Costa.
 
Internacionalização
 
O TNT, energético da empresa, que está no mercado desde 2009 se prepara para ganhar o mercado internacional. Costa explica que o grupo já registrou a marca em vários países da Europa e até na China, e deverá iniciar as primeiras exportações em 2013, ao mercado russo.
 
No ano que vem, a companhia espera que a marca TNT responda por 6% do faturamento total da companhia, que no ano passado ficou em R$ 3,9 bilhões e neste ano deve chegar a R$ 5,1 bilhões. “Em três anos, esperamos que esse percentual chegue a 10% e o faturamento a R$ 6 bilhões”, diz Costa.
 
Atualmente, a produção de energético é de 120 mil caixas mensais, ou cerca de 780 mil litros mensais. “A expectativa é alcançar 200 mil caixas por mês em três anos”, calcula.
 
A companhia também estuda os próximos passos para ampliar sua atuação no mercado doméstico, com ampla entrada do portifólio. Para isso, avalia a possibilidade de investir em águas, sucos e refrigerantes e disputar ainda mais mercado não só com Ambev, mas também com PepsiCo e Coca-Cola. “Mas ainda estamos estudando”, diz Costa. Segundo ele, “o plano do grupo é cobrir 100% do país até 2020 e saltar de 140 para 300 distribuidores”.

Brasil Econômico  Juliana Ribeiro

Perfume de mulher

A Jequiti, empresa de cosméticos controlada pelo apresentador Silvio Santos, busca sócio para, enfim, decolar.
 
Primeiro foi a venda do Banco PanAmericano para o BTG Pactual, em 2011, em meio a um escândalo financeiro. Em seguida, a empresa de soluções de pagamento eletrônico Braspag foi parar nas mãos da Cielo. Na sequência, a rede de lojas do Baú da Felicidade foi comprada pelo Magazine Luiza. Depois de todas essas transações, ocorridas ao longo daquele ano, como forma de recuperar o fôlego após a quebra do PanAmericano, tudo indicava que o Grupo Silvio Santos havia encerrado a temporada de venda de ativos. Não é bem assim. A diretoria da Jequiti, sua marca de cosméticos vendida no sistema porta a porta, vem conversando com possíveis parceiros.

Carmo Jr., presidente da Jequiti.

"Chega um momento na história da empresa em que ou ela insiste na briga desigual com as grandes ou se associa a uma concorrente para crescer," diz Lázaro do Carmo Jr., presidente da Jequiti. "Escolhemos a segunda opção." O executivo explica que sua preferência é se unir a quem disponha de musculatura financeira e tecnologia capaz de fazer a Jequiti decolar, preparando-a para enfrentar a americana Avon e a brasileira Natura, líderes do mercado brasileiro. "Queremos brigar com elas de igual para igual." Hoje, isso não passa de um sonho. Enquanto o faturamento anual de cada uma delas ultrapassou o patamar de R$ 4 bilhões em 2011, a marca de cosméticos do apresentador possui receita equivalente a 10% desse valor.

A busca desse parceiro foi confiada ao Banco Barclays, mas Carmo Jr. argumenta que nem todos os candidatos são bem-vindos. "Dinheiro é apenas um ponto de vantagem," diz o executivo. "Mais que isso, preferimos alguém que tenha conhecimento da indústria de cosméticos." De acordo com especialistas do setor, a Jequiti estaria avaliada em R$ 1 bilhão. Os potenciais compradores seriam as francesas Coty – que fez uma oferta mundial pela Avon neste ano – e L"Oréal, além da brasileira Hermes, especializada na venda por catálogo. Procuradas, as três empresas informaram que não comentam rumores de mercado. A Coty, por exemplo, é considerada forte favorita por especialistas consultados por DINHEIRO por já ser parceira da Jequiti.

As duas se associaram para produzir localmente alguns perfumes da grife francesa vendidos pelo catálogo da brasileira. Um dos entraves para a evolução do negócio é a divergência quanto à fatia de capital que caberia ao sócio. O Grupo Silvio Santos oferece 49% ao novo investidor, enquanto a Coty desejaria pelo menos 51% do negócio – ou seja, ficaria com o controle. De acordo com os especialistas, a associação a uma marca de prestígio, tradição no setor e fôlego financeiro ajudaria a Jequiti a se capitalizar. Com a venda do PanAmericano, a empresa perdeu uma de suas maiores fontes de financiamento. Simultaneamente às negociações, a Jequiti está ancorando sua estratégia em perfumes de celebridades nacionais e internacionais.

Depois do sucesso da fragrância da apresentadora Adriane Galisteu, lançado em julho deste ano e que vendeu 200 mil unidades em dois meses, a Jequiti resolveu buscar nomes internacionais, apostando em produtos que já estão no mercado mundial, mas com preços que caibam no bolso dos brasileiros. No fim de novembro foi lançado um frasco da cantora Madonna, em parceria com a suíça Givaudan, ao preço de R$ 119. Em fevereiro de 2013 chega ao catálogo da empresa o perfume da cantora Beyoncé, por R$ 99. "Eles estão sendo produzidos e envasados no Brasil", diz Carmo Jr. "Isso diminui muito o custo de perfumes, que eram importados e vendidos por R$ 300." O foco, segundo o executivo, são as consumidoras da classe C, que buscam produtos mais sofisticados a preços acessíveis.

Isto é Dinheiro  Luciele VELLUTO

Ourofino investe em nova unidade de vacinas em SP

Quando as discussões em torno da nova regulamentação da indústria veterinária ganharam corpo, no início dos anos 2000, o diretor industrial do grupo paulista Ourofino Agronegócio tinha dúvidas se aquelas regras não eram moldadas para atender os interesses das multinacionais que costumeiramente dominam o setor de saúde animal.
 
Apesar dos muitos questionamentos, o engenheiro químico Dolivar Coraucci estava certo que a empresa da qual viria a se tornar presidente não sobreviveria numa instalação improvisada como aquela de Ribeirão Preto, formada por dez endereços e 18 portas para a rua. Sem saída, a companhia fez o primeiro de uma série de investimentos e inaugurou, em 2005, uma das mais modernas fábricas de saúde animal do país no município de Cravinhos, na região de Ribeirão Preto.
 
De lá para cá, a Ourofino recebeu um aporte do BNDES, ingressou no cobiçado mercado de vacinas contra febre aftosa e estreou na produção de defensivos. Agora, o grupo trabalha nos últimos detalhes para iniciar a construção de uma nova fábrica de vacinas, que receberá investimentos de R$ 50 milhões.
 
"Em três anos, seremos a segunda maior empresa de saúde animal do país", afirmou ao Valor o agora presidente da Ourofino, Dolivar Coraucci. Para atingir esse objetivo, a empresa terá de ultrapassar as "temidas" multinacionais americanas MSD Saúde Animal , braço veterinário da farmacêutica Merck, e Merial. A Ourofino só ficaria atrás da também americana Pfizer.
 
O executivo diz que a meta da Ourofino será alcançada em 2017, quando a divisão de saúde animal da companhia atingir um faturamento de R$ 500 milhões. O grupo deve fechar este ano com um faturamento de R$ 360 milhões em saúde animal, dos 70% em bovinos. Esse montante se soma à área de defensivos agrícolas, que atingirá R$ 230 milhões neste ano. Com isso, o faturamento total da Ourofino em 2012 será de R$ 600 milhões.
 
Fundada em 1987 pelos empresários Jardel Massari e Norival Bonamichi como uma distribuidora de medicamentos veterinários, a Ourofino tem na nova fábrica de vacinas um pilar fundamental para desbancar MSD e Merial. "Precisamos continuar nossa incursão nas frentes do mercado", afirma Coraucci.
 
O executivo lembra que a estratégia de participar em todas as áreas do setor de saúde animal foi deflagrada com a inauguração da fábrica de vacinas contra a febre aftosa, em 2010. "Não poderíamos ficar sem um produto tão importante", afirma ele.
 
A vacina é o principal produto das multinacionais e costuma representar um quinto do faturamento dessas companhia no Brasil. "Mas não seremos dependentes da aftosa", adverte o presidente da Ourofino. Com uma capacidade para produzir 60 milhões de doses por ano, a unidade de vacinas contra a aftosa representa cerca de 10% do faturamento do empresa em saúde animal.
 
Com a nova fábrica, a Ourofino entrará em outra fatia do mercado, ingressando na produção de vacinas contra doenças como clostidiose, que atinge bovinos, raiva, entre outras. "Nós precisávamos avançar em biológicos", diz o presidente da companhia.
 
A unidade de vacinas será construída no complexo de saúde animal da companhia, em Cravinhos e terá capacidade para produzir 50 milhões de doses. O investimento de R$ 50 milhões serão financiado com recursos do BNDES, que detém 20% do capital da empresa, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do próprio caixa da veterinária. O BNDES fará o principal aporte.
 
O avanço da Ourofino nos próximos anos também contará com a ajuda de uma concorrente. Em situação similar à vivida pela empresa paulista nos início dos anos 2000, a fábrica da MSD Saúde Animal de vacinas contra aftosa está paralisada por conta das novas exigências de biossegurança adotadas em março, conforme já informou o Valor. Com isso, a Ourofino ganhará espaço.
 
O parque industrial brasileiro de vacinas contra a febre aftosa trabalhava com uma capacidade instalada superior a demanda. "No ano passado, acho que conseguimos não levar prejuízo. Mas a tendência é que os preços da vacina agora subam", diz o presidente Dolivar Coraucci.
 
Luiz Henrique Mendes
Jornal Valor Econômico

Lucro da Natura cresce 17,7% no terceiro trimestre

A Natura anunciou que obteve um lucro líquido consolidado de R$ 237,3 milhões no terceiro trimestre de 2012, o que corresponde a um crescimento de 17,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.
 
De janeiro a setembro, o lucro líquido da companhia totalizou R$ 603,9 milhões, incremento de 11,8%.
 
A receita líquida consolidada da Natura, de julho a setembro, somou R$ 1,586 bilhão, alta de 14,8% na relação anual. Nos nove meses, a receita da empresa chegou a R$ 4,470 bilhões, aumento de 14%.
No Brasil, a receita líquida foi de R$ 1,391 bilhão no trimestre, valor 11,4% acima do obtido no mesmo período do ano passado, e de R$ 3,966 bilhões no ano, acréscimo de 10,9%.
 
Já nas operações internacionais, a receita atingiu R$ 194,8 milhões de julho a setembro, crescimento de 24,1% em moeda local ponderada.
 
De janeiro a setembro, a receita da Natura nas operações internacionais totalizou R$ 504,4 milhões, avanço de 29,1%.
 
"Como no segundo trimestre, neste terceiro tivemos um efeito cambial favorável no resultado, devido à desvalorização do real frente à cesta de moedas dos países que temos operações", explicou a companhia em seu demonstrativo financeiro.
 
No trimestre passado, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) consolidado da Natura somou R$ 385 milhões, incremento de 15,5%.
Nos nove meses, o Ebitda da empresa chegou a R$ 1,048 bilhão, alta de 13,4%.
 
O número de consultoras Natura no Brasil alcançou 1,227 milhão ao final do mês passado, evolução de 8,4% em bases anuais.
Citando dados defasados do Sindicato da Indústria de Perfumarias de Artigos de Toucador do Estado de São Paulo (Sipatesp) e da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), a Natura informou que seus mercados alvo, de cosméticos e de higiene pessoal, tiveram expansão de 16,8% no primeiro semestre do ano.
 
"Esse crescimento corrobora nossa expectativa de recuperação frente a 2011, porém em patamares maiores do que esperado, principalmente nas categorias de higiene pessoal, que tiveram lançamentos e investimentos relevantes na primeira metade do ano", afirma a empresa.
 
A participação da Natura nesses mercados caiu 1,5 ponto percentual no período, para 23,2%.
Em cosméticos e fragrâncias, a participação da empresa recuou 0,6 ponto, para 37,6%, enquanto em higiene pessoal a queda foi de 1,7 ponto, para 11,5%.
 
Brasil Economico

Farmacêutica União Química fará investimento em Minas Gerais

A farmacêutica União Química vai investir R$ 12,6 milhões em sua unidade de Pouso Alegre, destinada à produção de medicamentos em geral.

A empresa também vai implantar uma linha de produção de medicamentos de origem biológica para uso humano no mesmo local.

O laboratório assinou hoje protocolo de intenção com o Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede).

A União Química faz parte da Bionovis, joint venture formada com outras três farmacêuticas: Hypermarcas, Aché e EMS, para o desenvolvimento no país de medicamentos biológicos para tratamento de doenças complexas, como câncer.

Portal Valor Econômico

Jornalista: Mônica Scaramuzzo

Leo Pharma cria base no país para expandir

O laboratório dinamarquês Leo Pharma decidiu mudar sua estratégia para abocanhar um naco maior do polpudo mercado farmacêutico brasileiro, que cresce acima de dois dígitos nos últimos anos.
 
Especializado em doenças de pele, o grupo contratou o executivo alemão Thomas Weidauer para comandar os negócios da companhia no país e aumentar o portfólio de medicamentos.
 
Até então, os produtos da Leo Pharma eram vendidos no Brasil pela Roche desde o fim de 2010, por meio de um contrato de distribuição feito com a farmacêutica dinamarquesa. Desde julho à frente da empresa, Weidauer chegou ao país com a meta de tornar os produtos do laboratório a marca preferencial em sua categoria até 2020.
 
Com forte sotaque alemão, o executivo está à procura de um imóvel para fixar residência em São Paulo. Weidauer sabe que a tarefa para expandir a atuação da empresa no segmento farmacêutico não será nada fácil, mas está disposto a encarar o desafio. Em entrevista ao Valor, ele disse que a primeira estratégia da empresa será aumentar o portfólio de medicamentos.
 
Até o momento, apenas dois produtos do grupo são negociados no Brasil - o Verutex, indicado para eczema, doença autoimune, e o Daivobet (hidrato de calcipotriol + dipropionato de betametasona), nas apresentações creme e pomada, para o tratamento de psoríase. Essa doença atinge de 1% a 3% da população no mundo.
 
No Brasil, estima-se que 2,5 milhões de pessoas tenham psoríase, mas apenas 5% delas estejam em tratamento, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A companhia chegou a fazer proposta para incluir esse medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS), mas teve seu pedido recusado.
 
A partir de 2013, a companhia vai comercializar o medicamento Picato (mebutato de ingenol), de uso tópico para o tratamento da queratose actínica (ou queratose solar ou ceratose), um precursor potencial de câncer de pele não melanoma causado pela exposição ao sol sem proteção. A versão do Daivobet em gel também teve aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser vendida no Brasil ano que vem.
 
Esta é a segunda passagem de Weidauer pelo país. A primeira foi em 2002 e durou cinco anos, quando o executivo foi designado para coordenar os negócios farmacêuticos da companhia belga Solvay - vendidos posteriormente para o laboratório americano Abbott.
 
Weidauer trabalha para que a companhia eleve em 60% a receita da Leo Pharma no país até 2015. Atualmente, a subsidiária brasileira fatura R$ 21 milhões, valor considerado baixo, se comparado às empresas médias instaladas no país, com vendas de R$ 300 milhões. O crescimento até 2015 será com aumento de portfólio. O faturamento global do grupo em 2011 foi de US$ 1,4 bilhão.
 
O executivo não descarta aquisição de uma fábrica no país no médio e longo prazo, mas assim como boa parte das multinacionais pretende continuar com a importação de produtos. Neste momento, a companhia não está em negociação com nenhuma empresa. "Tem que ser uma companhia com produtos que façam sentido para o grupo." Se concluir a compra de uma unidade no país, será a primeira fora da Europa. A Leo Pharma tem cinco fábricas, todas em países europeus.
 
Mônica Scaramuzzo

Farmacêutica Aspen eleva portfólio de remédios maduros no país

O grupo farmacêutico Aspen, com sede na África do Sul, vai investir em aquisições no Brasil. Essa estratégia, que está sendo colocada em prática pela companhia, não focará em ativos. A meta é comprar medicamentos maduros (que perderam a patente) que não interessam mais aos laboratórios que os desenvolveram.
 
"Não queremos ser reconhecidos como uma farmacêutica que trata de uma determinada doença. O que nos interessa é ter uma grande cesta de produtos conhecidos", disse ao Valor Alexandre França, presidente da companhia no Brasil.

A empresa já investiu cerca de R$ 90 milhões no país nos últimos três anos com a compra de medicamentos "esnobados" por grandes companhias globais, mas que têm forte apelo comercial no país. Novos produtos deverão ser adquiridos até o fim do ano.

Em julho, a Aspen comprou um pacote com quatro produtos que pertenciam à inglesa GlaxoSmithKline (GSK), que incluem o Leite de Magnésia (laxante), Kwell e Nedax. "Esses produtos são tradicionais no mercado e reforçam nossa estratégia de avançar no segmento OTC [medicamento isento de prescrição, na sigla em inglês]", disse França.

Na cesta da companhia no país estão incluídos cerca de 80 produtos - os líderes de venda são o Zyloric (trata gota), Agastrat (para doença cardíaca), Alcachofra (fitoterápico para digestão). "O Leite de Magnésia tem potencial para ser um dos nossos principais produtos", disse França. Segundo ele, esse medicamento é indicado como laxante, mas em algumas regiões do país, como Norte e Nordeste, há pessoas que usam o produto como desodorante corporal e até para combater odor nos pés.

A parceria com a inglesa GSK, que é uma das acionistas da Aspen Pharma, com 18% de participação na companhia, é muito forte. Na Austrália, a Aspen comprou um pacote com 25 produtos da farmacêutica, por 172 milhões de libras. A estratégia de compras é global.

Desde que chegou ao Brasil, em 2008, com a compra de 51% do laboratório Cellofarm, que pertencia à indiana Strides Arcolet - os 49% foram adquiridos no ano seguinte -, a Aspen mira aquisições de medicamentos. "Queremos dobrar o faturamento até o fim de 2014", disse França. Em 2011, a receita atingiu R$ 150 milhões e deverá encerrar este ano em R$ 200 milhões. A meta é alcançar R$ 400 milhões em 2014. A Aspen também vai comercializar produtos próprios (versão similar), como o Sedopan (transtorno bipolar).

Com escritório no Rio de Janeiro e uma fábrica em Serra, no Espírito Santo, a companhia também está investindo R$ 10 milhões na expansão de capacidade de sua única unidade. "Vamos mais que dobrar a capacidade de nossa atual instalação, de 20 milhões de comprimidos por ano, para 50 milhões de comprimidos/ano em dois anos, e também vamos produzir líquidos", afirmou. Atualmente, o portfólio do grupo no país está dividido em produtos de prescrição (60%), OTC (10%) e hospitalar (30%). A meta é que OTC suba para 30% e hospitalar caia para 10%.

A atual fábrica do grupo produz 20% dos medicamentos comercializados pela Aspen no Brasil. Outros 40% são produção terceirizada e 40% importados. França disse que quer reduzir a participação dos terceirizados pela metade. Para isso, aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para certificar a fábrica do grupo.
 
Fonte: Valor Econômico via Febrafar.

Empresas de alimentos ampliam atuação no Rio de Janeiro

A indústria alimentícia ganhará destaque na economia fluminense nos próximos dois anos, segundo o governo do estado.

As empresas Piraquê e a Atrios investirão R$ 86 milhões na construção e operacionalização de duas unidades, em Queimados e Saquarema, respectivamente. Serão geradas 520 vagas de trabalho.

As duas companhias serão beneficiadas pela Lei 5.636, que garante regime especial de tributação e de recolhimento do ICMS.

A Piraquê investirá R$ 85 milhões em uma unidade, no Distrito Industrial da Codin, em Queimados, na Baixada Fluminense.

A expectativa é de que 500 novos empregos sejam criados até 2018. A empresa, que já tem unidade instalada em Madureira, espera que 80% da produção da nova fábrica sejam absorvidos pelo mercado do Rio.

Em Saquarema, nas Baixadas Litorâneas, a empresa de condimentos Atrios investe aproximadamente R$ 1 milhão na unidade. A expectativa é de que a fábrica entre em operação no primeiro semestre de 2013 e gere 20 empregos.

O Globo

Danone conta a estratégia para se manter líder e crescer a categoria no Brasil

Com um crescimento anual de 15%, a filial brasileira se prepara para atingir um faturamento de R$ 2 bilhões e se tornar a terceira operação mais rentável, ultrapassando a matriz, na França

Mariano Lozano, presidente da Danone no Brasil

Não e à toa que a operação brasileira da Danone está virando a menina dos olhos da multinacional francesa. (Culpa da crise na Europa? A história não é bem essa.) Nos últimos oito anos, o país tem crescido a uma taxa de 15% (bem acima dos 5,6% do grupo) e, agora, se prepara para atingir um faturamento de R$ 2 bilhões. É o dobro do que a filial faturava até R$ 2009.

Junte-se a isso sua liderança no Brasil. De acordo com a companhia, ela detém uma fatia de 38% da categoria iogurte, o carro-chefe da empresa, responsável por quase 80% dos resultados aqui.
A marca, aliás, foi por muito tempo sinônimo do produto no Brasil. Pesquisas internas da companhia apontam que, até hoje, um a cada dois brasileiros chama iogurte de Danone.

Nem o acirramento da concorrência - com o reposicionamento das marcas Batavo e Elegê (BRF) e a abertura de capital da Vigor (JBS) - parece abalar a confiança de Mariano Lozano, presidente da Danone no Brasil. “Nosso sonho é muito mais de desenvolver a categoria que de aumentar nossa fatia de mercado”, disse o executivo em entrevista à NEGÓCIOS.
 

O desafio, para Lozano, não está tanto nos competidores, mas no perfil de compra do brasileiro, que trata o produto como secundário na compra do mês. O consumo per capta do iogurte é de 6,5 quilos por ano, o que representa um iogurte a cada seis dias. Levando em conta que esse índice é o triplo na Argentina e chega a quase um iogurte por dia em países como Portugal e França, o potencial de crescimento da categoria no Brasil, caso seja mantido o cenário de aumento da renda da população nos próximos anos, é enorme.

É esse potencial que enche os olhos do executivo e da matriz francesa. Segundo Lozano, o mercado movimenta atualmente R$ 5 bilhões no país. O objetivo é que o consumo per capta atinja 10 kg até 2016. O caminho para construir esse cenário o executivo conta abaixo.

A operação brasileira está crescendo a 15% anuais e deve passar a matriz, na França, em breve. Qual a estratégia da empresa para o país?
Metade do nosso portfólio está em alimentos funcionais, com vitaminas para as crianças ou benefícios para as mulheres no combate à osteoporose, por exemplo. A outra metade está nos alimentos. Nosso maior foco é convencer o brasileiro a consumir mais vezes e mais frequentemente o produto com algum benefício específico. Já a estratégia da marca é trabalhar a comunicação massiva em metade do portfólio com benefício, os alimentos funcionais, e bater muito na tecla de um iogurte por dia nos produtos restantes, como um veículo de nutrientes.
 

E como crescer a categoria no Brasil?
 Como desenvolver um produto que tem uma alta penetração, mas uma baixa frequência? A primeira regra de consumo é preço. E preço está relacionado à renda. O brasileiro ainda tem a ideia de que o produto é supérfluo e caro. Ou seja, o iogurte ainda é um produto aspiracional. Na verdade, do ponto de vista da nutrição, ele é um produto para todos os dias. Além disso, cerca de 30% do nosso portfólio tem produtos a menos de R$ 1. Quando você pergunta ao consumidor: “por que você acha que é caro? Quanto é caro?”, você percebe que isso está no imaginário da população brasileira. Parte da evolução de um produto que é visto como supérfluo e aspiracional para um produto que pertence à cesta básica é fazer com que o consumidor, cada vez que visite o varejo, compre e que ele o consuma diariamente. Tudo isso junto é o que vai puxar a categoria.

Mas a concorrência para a Danone está ficando acirrada...
 Tudo que seja lançamento, que vá dinamizar a categoria, que seja boa comunicação, constrói um valor para a categoria. Por isso, nosso sonho é muito mais de desenvolver a categoria que de aumentar nossa fatia de mercado. Para aumentar a fatia de mercado, teríamos que brigar com a concorrência, mas a população continuaria consumindo as mesmas quantidades do produto.

E como ficam as categorias nas quais a companhia não tem a liderança, como a de águas e a de nutrição infantil? Neste ano a Nestlé derrotou a Danone na compra da divisão de nutrição infantil da Pfizer...
Sim, somos vice-líderes no Brasil tanto em água mineral, quanto em nutrição infantil. Essas são divisões novas, que começaram em 2007 e 2008 (respectivamente) e estão crescendo. Elas têm uma base menor, mas têm um ritmo de crescimento muito forte. Ainda assim, nossa estratégia é focar na divisão principal, a de iogurte, que responde por quase 80% do faturamento do Brasil. As outras três divisões, de águas, nutrição infantil e nutrição medical dividem os 20% restantes.

Esse posicionamento tem a ver com o momento econômico brasileiro, de aumento da distribuição de renda?
Às vezes, nos perguntam se temos produtos específicos ou um foco muito na classe C. Na verdade, tentamos ter uma linha que esteja presente de uma forma abrangente. É só ver o sucesso da linha Danone Activia, que tem desde produtos que passam por um consumo alto padrão, com grãos, mais sofisticados etc, até a polpa de colher, por R$ 0,99. Tentamos ter uma presença em toda a pirâmide. Não temos um foco na classe C, nossa estratégia é mais de “bem-vindo” ao meio da pirâmide que de trabalhar a base dela. [As vendas da empresa estão concentradas 40%, na classe C, à frente da A/B (38%) e D/E (22%). O mercado como um todo no Brasil está divido em 53% de classe A/B, 30% classe C e 17% entre D/E, de acordo dados da Danone.]

A empresa diz que não quer focar nas classes C e D, mas com o aumento da renda mais concentrado nessas faixas, esse é um público que pode ser ignorado?
O que as empresas de consumo têm que aproveitar nessa tendência de uma quantidade importante da população que está se movendo na pirâmide é que ela comece a consumir mais categorias. Segundo as pesquisas da Nielsen, há 10 anos, a cesta do consumidor no varejo incluía 32 categorias. Hoje, ele consome 37. As classes C e D, as quais colocavam de 17 a 18 categorias no carrinho, agora levam 24. O iogurte é um dos itens que essas faixas da população estão começando a incorporar ao carrinho. Então, temos sorte, porque temos opções que falam em alimento, outras que falam em nutrição e saúde, todas com um baita potencial de adoção pelas novas classes.

A expectativa é de que vocês ultrapassem a matriz, na França, em quanto tempo?
França e Espanha geralmente brigam pelo terceiro posto. De acordo com nossas projeções, a operação brasileira deve passar a ocupar esse lugar no ranking em 2014. Mas isso também depende de como estará o câmbio. Quando você compara laranja com laranja, tem que comparar em euros. Além dessa competição interna, o mais importante é continuar a crescer de forma orgânica, na casa dos 15% todos os anos. Então, isso que você diz vai vir, uma vez que o crescimento na Europa hoje está bem baixo. O grupo divulgou recentemente seus resultados e o crescimento geral está na casa dos 5,6% de aumento.

Além do Brasil, que de acordo com as informações da companhia tem se tornado uma operação importante, quais outros países têm o maior crescimento?
 Os emergentes claramente carregam o peso de continuar crescendo. A Danone identificou seis países-chave para o motor do crescimento nos próximos anos. México, Indonésia, China, Rússia, Estados Unidos e Brasil. Para nós, os EUA são um país emergente – o consumo de iogurte lá é muito baixo, é o mesmo do Brasil, e isso se deve à dieta do americano. Essas regiões sozinhas, atualmente, são responsáveis por 60% de todo o crescimento do grupo. Para nós é ótimo: estamos ficando melhor na foto, mas também temos uma responsabilidade cada vez maior perante o grupo.

Uma pesquisa da WMcCann apontou que os brasileiros cada dia estão comendo mais na rua. Cerca de 50% das classes C e D tem esse hábito, um mercado estimado em R$ 9 bilhões. A Danone pretende aproveitar essa tendência?
 Esse consumo no Brasil é mais de snack que de café da manhã ou de almoço. É entre as refeições e muito mais frequente pela manhã. Nosso portfólio tem quase 50% de iogurtes bebíveis e 50% de colher. No caso dos bebíveis, tentamos estar mais presentes em lojas de conveniência, para aproveitar mais esse momento de snack. Mas nossa categoria ainda não é muito forte nisso. Temos que desenvolver diferentes formatos de bebíveis para que seja mais fácil alcançar esse público.

A Danone lançou recentemente um leite enriquecido, produto que garante uma melhor margem. Qual a importância desse tipo de produto na estratégia Brasil?
Somos mais “iogurteiros” que “leiteiros”, mas no Brasil, para continuar construindo valor de marca com a Danone, nos estendemos e lançamos o leite UHT Danone enriquecido. Temos uma base de leite UHT, porque compramos a Paulista, em 2000. Não é nosso foco, embora estejamos presente em outras categorias para construir a marca, tanto a Danone como a Paulista, mas nossa praia é muito mais a do iogurte.
Agência O Globo

A Gaúcha MEMPHIS S/A Cosméticos é alvo constante de assédio de gigantes do ramo

Neste ano, um dos objetivos da sexagenária é dar cara nova a tradicionais linhas de produtos para atrair os consumidores mais jovens
 
Assim como a personagem cercada por rosas que lembra uma princesa de conto de fadas e há mais de seis décadas simboliza a linha Alma de Flores, ícone da perfumaria brasileira, a gaúcha Memphis pouco precisou mudar para resistir. E, mais do que perseverar, assegurar crescimento em um mercado dominado por concorrentes multinacionais e bilionários.
 
Nascida em 1949 pelas mãos empreendedoras do imigrante Carlos Lutz, alemão que chegou jovem ao país fugindo da II Guerra Mundial, a Memphis conservou ao longo dos anos a essência tanto de seus sabonetes e desodorantes quanto a de um negócio familiar.
 
Novamente a exemplo dos produtos que fabrica, como os também tradicionais Senador e 4 Estações, bastaram retoques para a empresa garantir o quinto posto entre as maiores do setor no país, suplantada apenas por gigantes como Unilever, Colgate-Palmolive, Flora (do grupo JBS) e Nívea.
 
Embora integrantes da terceira família ocupem posições de liderança na empresa, a Memphis caminhou para a adoção de uma gestão mais profissionalizada, partiu para um conselho com membros independentes e a publicação de balanços auditados.
 
Empresa pretende ampliar as opções de produtos em 2013
 
Por ser a maior empresa sob controle familiar brasileira no ramo de higiene pessoal, setor que no país cresce a altas taxas devido ao avanço da renda do brasileiro, a Memphis é alvo constante de assédio de grupos maiores, admite André Nedeff Dall'Onder, diretor de vendas e marketing da companhia.
— Sofremos assédio como toda empresa nacional, sólida, lucrativa e bem posicionada no mercado — confirma André.
 
Mas a família decidiu resistir. E não ceder também à guerra fiscal que impera entre os Estados brasileiros. Mesmo que na ponta do lápis uma mudança sugira vantagens, a Memphis também não cede às recorrentes cantadas de governos do Sudeste e do Centro-Oeste para, em troca de polpudos incentivos tributários, transferir a produção das fábricas de Porto Alegre, onde também está a matriz, e Portão, no Vale do Sinos.
— Decidimos nos manter no Rio Grande do Sul. Ficar e garantir a competitividade aqui — explica Dall'Onder.
 
Para continuar rivalizando com grupos maiores, além de apostar em nichos e valor agregado, a Memphis vai investir R$ 10 milhões em 2013 e 2014 para elevar a produtividade e melhorar processos nas fábricas.
 
Em outra frente, será aberto este ano em Extrema (MG) o quinto centro de distribuição no Brasil — os outros estão em São Paulo, Rio, Bahia e Paraíba. Outra ofensiva da Memphis será repaginar este ano toda a linha Senador, além de ampliar o leque de produtos — hoje cerca de 200, divididos sob oito marcas.
 
Por trás da decisão de arejar as linhas tradicionais, como a recente transição nas embalagens da Alma de Flores, sem ferir a identidade da marca, está a constatação de que, apesar da proteção de um público fiel mas maduro, é preciso certa dose de renovação para também atrair o consumidor mais jovem e garantir a perpetuação e a saúde financeira da empresa. Assim, a Memphis pretende garantir suas essências.
 
Perfil
— Fundação: 1949
— Principais marcas: Alma de Flores, Senador, Biocrema, 4 Estações e Ann Bow
— Produtos: sabonetes, desodorantes, talcos, hidratantes e deo colônias
— Fábricas: Porto Alegre e Portão
— Funcionários: 300
— Faturamento: R$ 120 milhões em 2012 e projeção de crescimento de 20% este ano
 

O Globo – RJ

Cientista inglês vai comandar a Orygen

O bioquímico inglês Andrew Simpson foi contratado para presidir a superfarmacêutica nacional Orygen Biotecnologia, joint venture formada pelos laboratórios Biolab, Eurofarma, Cristália e Libbs.
 
Simpson, que construiu uma carreira acadêmia bem-sucedida no renomado Instituto Ludwig de Pesquisa de Câncer, nos Estados Unidos, foi "importado" para desenvolver medicamentos biossimilares no Brasil.
 
A Simpson caberá uma tarefa duplamente árdua: gerir uma empresa recém-saída do papel e começar a produzir para o Sistema Único de Saúde (SUS) sete medicamentos para tratamento de câncer e doenças inflamatórias, como artrite reumatoide, considerados estratégicos pelo governo federal.
 
O pacote de remédios biológicos importados custa cerca de US$ 3,5 bilhões por ano aos cofres públicos. "O custo de produção do genérico é de um décimo do produto de referência, já os biossimilares ficarão entre 20% e 30% mais baratos comparados ao original", disse o cientista.
 
São poucas as farmacêuticas globais que produzem biossimilares. Esses medicamentos são cópias de remédios de referência para tratamento de doenças complexas, mas sua produção não é tão simples como a dos genéricos. Eles são desenvolvidos a partir de células vivas e anticorpos monoclonais (proteínas produzidas em laboratório para combater determinada doença).
 
A Orygen vai investir aproximadamente R$ 500 milhões para construir uma fábrica e iniciar a produção de medicamentos. A unidade será instalada na região de Campinas, próxima ao complexo farmacêutico de alguma das quatro sócias da nova companhia. A expectativa é que os primeiros biossimilares produzidos no país cheguem ao mercado em três anos.
 
"Estava em Nova York [sede do Instituto Ludwig para pesquisa de câncer], quando um 'headhunter' me ligou", disse Simpson em português, com o sotaque carregado. O bioquímico ocupava o cargo de diretor-científico do instituto. O primeiro contato foi em junho. Mas só em setembro, ao conhecer melhor o projeto da Orygen, ele decidiu aceitar a proposta.
 
"Receber um convite nesta altura da vida é muito desafiador. Uma oportunidade para contribuir para o crescimento da ciência no Brasil", disse o executivo, de 58 anos. Essa não é a primeira passagem de Simpson pelo Brasil. Entre 1990 e 2002, ele esteve no país como pesquisador para projetos em parceria com o laboratório do governo Fiocruz e Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte. Foi nesse período que conheceu sua esposa e criou forte "vínculo" com o país.
 
Em julho de 2000, a revista britânica "Nature" destacou em sua capa um artigo com os resultados do esforço de 116 cientistas de instituições paulistas, no qual Simpson foi um dos coordenadores, para obter o sequenciamento dos genes da bactéria Xylella fastidiosa, responsável pela doença do "amarelinho", considerada devastadora para a cultura de laranja em São Paulo. Um ano depois, o cientista também orientou no país o sequenciamento da bactéria Chromobacterium violaceum, da região amazônica, com potencial biotecnológico para desenvolver antibióticos e antitumorais (remédios contra o câncer, por exemplo). A projeção dessas pesquisas realizadas no país foi um dos motivos que levaram Simpson a pedir cidadania brasileira.
 
Ao se desvincular do Instituto Ludwig, onde permaneceu por dez anos, o cientista foi convidado a fazer parte do conselho deliberativo da instituição. "Foi uma honra", disse Simpson.
 
Os trabalhos na Orygen começaram há quase dois meses. Mesmo sem uma sede definida, o bioquímico já participou de reuniões com o governo federal e esteve na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Farão parte de nossa equipe cientistas brasileiros talentosos e podemos trazer pesquisadores de fora também", disse.
 
A prioridade da superfarmacêutica é começar a desenvolver medicamentos que perderam a patente ou que estão prestes a expirar, casos do etanercepte (marca comercial Enbrel), voltado para tratamento de artrite reumatoide e psoríase. A patente desse medicamento expirou em outubro deste ano nos Estados Unidos, mas a versão aquosa vale até 2023, e na Europa termina em 2015; e do rituximabe (conhecido como Rituxan ou Mabthera), voltado para o câncer, cuja patente vence no fim do ano que vem na Europa e em 2018 nos EUA. Os outros medicamentos, cujas patentes têm validade maior, são o trastuzumabe (nome comercial Herceptin), para câncer de mama; bevacizumab (câncer), adalimumabe (câncer e psoríase); cetuximab (câncer); e infliximabe (doenças autoimunes, como psoríase e artrite reumatoide).
 
Estimativas apontam que o mercado global de medicamentos biológicos, que estão com a patente para vencer até 2020, movimente US$ 54 bilhões por ano. Esses remédios (incluindo os sete que são prioridade para o Brasil) farão parte do segmento de biossimilares.

Mônica Scaramuzzo  Jornal Valor Econômico